IX Concurso Contos do Tijuco “JACI DE ALMEIDA”

A L A M I
Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba.
Entidade de utilidade publica municipal – lei 3896.
alamiacademia@yahoo.com.br
www.alami.xpg.com.br

IX Concurso Contos do Tijuco
“JACI DE ALMEIDA”

.Regulamento

1 – A Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba – ALAMI – promove o IX Concurso Contos do Tijuco, uma atividade de caráter literário e cultural sem fins lucrativos, que nessa edição homenageia o saudoso Jaci de Almeida – gráfico.

2 – Poderão inscrever-se escritores de qualquer nacionalidade (desde que o conto seja escrito na língua portuguesa). A inscrição implica na concordância automática com todas as cláusulas desse regulamento.

3 – O conto deverá ser em língua portuguesa, inédito e apresentado em quatro vias digitadas em corpo 12. Cada participante poderá inscrever apenas um conto, sem limite de páginas e sem restrição quanto à forma e ao conteúdo. O concorrente é único e inteiramente responsável por garantir que seu conto seja inédito, sendo responsável, civil e criminalmente, em caso de plágio.

4 – O conto deverá ser enviado em um envelope grande e lacrado, identificado na frente com o nome do concurso. Dentro deste envelope os concorrentes deverão enviar um envelope menor, também lacrado, identificado na parte externa apenas com o título do conto e o pseudônimo utilizado e este envelope menor deverá conter uma folha com os seguintes dados: – nome do conto e pseudônimo, nome completo do autor, e-mail, telefone para contato e pequena biografia.

5 – O prazo para a inscrição termina, impreterivelmente, no dia 31 de outubro de 2014, valendo a data do carimbo do correio. Enviar a inscrição para o seguinte endereço:

ALAMI – Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba –.
Avenida Três, entre Ruas 18 e 20 nº 240 – Casa da Cultura –
Ituiutaba –MG – CEP 38.300.160.

6 – Os contos serão julgados por uma Comissão Julgadora formada por três membros, de notória competência na matéria, não pertencentes à ALAMI.

7 – Ao autor do conto premiado será oferecido como prêmio a quantia de R$400, OO (quatrocentos reais) e certificado e livros da biblioteca da ALAMI.

8 – O conto premiado será publicado no blog da ALAMI – solardaliteratura.blogspot.com.br – e outros sites literários que prestam serviços de divulgação de concursos de contos. A Comissão poderá selecionar mais nove contos, sem classificação, para possível publicação em livro.

9 – O resultado do concurso sairá numa data bem próxima do dia 11 de dezembro de 2014 ou, imediatamente ao término dos trabalhos da Comissão Julgadora. O resultado do concurso será divulgado no blog: www.solardaliteratura.blogspot.com.br – e outros sites literários que colaboram com a ALAMI na divulgação de concursos de contos.

10 – A entrega do prêmio ao ganhador do Concurso e a entrega do “Certificado de Participação” aos autores dos nove contos selecionados será em data a ser informada. – pelo telefone ou e-mail -.

1 – Poderá a Comissão Julgadora deixar de outorgar o prêmio se avaliar que a ele nenhum dos contos faz jus. (não haverá devolução dos contos recebidos, que serão incinerados logo após o julgamento).

12 – Poderá a ALAMI publicar um livro com o conto vencedor e os nove contos selecionados pela Comissão Julgadora.

13 – As decisões da Comissão Julgadora são irrecorríveis.

14 – Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela ALAMI

Ituiutaba, 1º de Agosto de 2014.
Comissão Organizadora:
Regina de Souza Marques Almeida – Coordenadora de Concursos-
Membros:
Sonone Luiz Vilela Junqueira
Adelaide Pajuaba Nehme
José Moreira Filho
José Maria Franco de Assis
Enio Eustáquio Ferreira

CP: HD – FCI/ALAMI – agosto/2014

 

Parceria: Fundação Cultural de Ituiutaba e o grupo O Circo Mais Maior apresenta “Festival de circo para crianças”

Para alegrar a criançada desta cidade, iniciou neste dia 20, na Escola Estadual Clovis Salgado e sequenciará até o próximo dia 26 do corrente, o Festival de Circo para Crianças, numa parceria entre a Fundação Cultural e o grupo independente de circo de Ituiutaba “O Circo Mais Maior”, com a seguinte programação:
Dia 20/10 – Escola Estadual Clovis Salgado, às 13h30
Dia 23/10
Oficina E você Palhaço? (Cia Mais Maior de Circo-MG) Teatro Vianinha, às 14h
Rita, não grita! E Coral, Teatro Vianinha e Conservatório, às 19h
Dia 24/10 – Espetáculo “É só querê fazê (Coletivo É só querê Fazê) – GO, Calçadão, às 18h
Brinquedos, brincadeiras e outras poesias (Família Santiago Santos – GO), Praça da Prefeitura, às 20h
Dia 25/10
Cortejo dos Artistas e Espetáculo “É só querê fazê” (Coltivo É só querê fazê-GO), Calçadão, às 09h
Oficina de Vivência Circense (Trupe Trip Trapo-GO), Teatro Vianinha, às 14h
Pluft! O fantasminha – Teatro Vianinha, às 19h
Show com Forró de Lona (Forró de Lona-GO) – FACIP/UFU, às 22h
26/10
Bulacha, o Domador de Animais (Palhaço Bulacha-GO), Feira do Junqueira, às 10h
Encontro Mais Arte na Praça – Praça Getúlio Vargas, às 15h
É n “Oz n Pista (Trupe Trip Trapo-GO), Praça Getúlio Vargas, às 18h

 
Vá e leve suas crianças e morra de rir! Entrada Franca.

 

Escola Municipal Salim Bittar realiza Feira Cultural “Projeto Educar”

Cumprindo a penúltima etapa do “Projeto Educar”, a Escola Municipal Salim Bittar, realizou no último dia 9, em suas dependências uma Feira Cultural, com a exposição de trabalhos feitos pelos alunos de 3º e 4º anos durante todas as etapas do projeto.
O Projeto Educar em todas as etapas constituiu-se: de aula introdutória, palestra e debate sobre bens culturais, escolha do bem cultural feita pelos próprios alunos, pesquisa sobre bem cultural escolhido, entrevista com pessoa da comunidade, visita ao bem escolhido (Casa da Cultural-MUSAI), redação sobre o bem escolhido, atividades sobre o bem cultural desenvolvido pelos professores, e finalizando a participação da escola no projeto, foi realizada a Feira Cultural.
O Projeto Educar é uma realização da Fundação Cultural de Ituiutaba, em parceria com o IEPHA – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, buscando despertar nos alunos do ensino fundamental I, de 3º ao 5º anos, das escolas municipais Salim Bittar e Nadime Derze, o interesse pela preservação dos Bens patrimoniais do município de Ituiutaba.
Nessa etapa do projeto tivemos a participação dos alunos da escola, da comunidade, através dos pais dos alunos, professores, representantes da Fundação, nas pessoas dos técnicos, Supervisora do ICMS Cultural, Neila Alves dos Santos e do historiador, Luciano Barbosa da Silva.
O objetivo principal do “Projeto Educar” e integrar processo desenvolvido pela Fundação Cultural, com o objetivo de aumentar o ICMS Cultural do município de Ituiutaba.
Para encerrar a realização do “Projeto Educar” será realizado no dia 29 do corrente, na Escola Municipal Nadime Derze Jorge, a outra etapa da feira cultural, promovido pela escola em parceria com a Fundação Cultural, onde a comunidade em geral está convidada a prestigiar. A Feira será realizada no período matutino.

 
Saiba mais sobre Ituiutaba, acesse: www.portalituiutaba.com.br

Exposição Monetária

EXPOSICAO MONETARIA

Meus pitacos sobre neoliberalismo

Whisner Fraga é escritor. Contato: wf@whisnerfraga.com.br

 

Há muita gente que não precisa do Estado e que, portanto, não concorda com políticas assistencialistas de qualquer governo. É compreensível. Assim, essa classe abastada acredita em clichês como “em vez de dar o peixe, ensine a pescar”, “se eu consegui chegar até aqui só com meu esforço, qualquer um consegue”, “no Brasil não há racismo, somos todos iguais” e assim por diante. Obviamente todas essas frases feitas podem ser derrubadas com argumentos simples.
Um: ninguém aprende a pescar de barriga vazia. Primeiro precisamos comer para depois irmos para uma escola. E, diga-se, é preciso haver escola pública, gratuita e de qualidade para que aquele que ganhou o peixe estude, aprenda e tenha oportunidades. Dois, ninguém neste mundo chega a qualquer lugar somente com esforço. É necessário um conjunto de situações para que alguém seja vencedor e posso citar algumas: mercado favorável, estar no lugar certo na hora certa e conhecer pessoas influentes. Três, o Brasil é um país extremamente preconceituoso, cujos cidadãos geralmente colocam o umbigo em primeiro lugar, mesmo em detrimento de argumentos irrefutáveis.
Sobre a política neoliberal, do estado mínimo, é preciso dizer que ela vem sendo adaptada de maneira equivocada em nossa pátria. Entendo o estado mínimo como aquele que não deseja ter propriedades e, portanto, vende os seus bens. É a famosa privatização. Depois começa a interferir menos na sociedade em geral: é o laissez-faire adaptado ao século vinte e um. O mercado livre, sem a mão pesada do estado.
É uma teoria muito bonita, que na prática só aperfeiçoa o sistema de desigualdades vigente por aqui. Assim, o rico começa a professar por aí que é preferível pagar dez reais de pedágio a cada cinquenta quilômetros do que ter estradas ruins, que bandido bom é bandido morto, que é melhor pagar um plano de saúde de mil reais do que depender do SUS, que é mais sensato matricular o filho em uma escola de 1,5 mil reais ao mês do que se sujeitar a uma escola pública. Por isso a política neoliberal é para os poderosos.
Aí voltamos ao aprender a pescar. O cidadão que precisa do peixe não pode custear nada disso. Ele é refém dos serviços públicos, gratuitos, e é dependente do Estado, justamente por causa da história de desigualdades no Brasil. O que faremos com esses milhões de seres-humanos? Continuaremos a explorá-los, como fizeram nossos avós, que “contratavam” uma empregada doméstica em troca de comida e ainda achavam que faziam um favor para a sociedade?
Que lógica existe em um estado neoliberal, mínimo, que continua a embolsar a mesma quantidade de imposto que o estado assistencialista? Que arrecada até mais! Que privatiza as rodovias, permitindo a cobrança de pedágios caríssimos e continua, ferozmente, a recolher o IPVA? O que esperar de um povo que acha que a solução para a violência é a redução da maioridade penal? Nosso país não precisa de mais cadeias, precisa sim de mais escolas de qualidade, de mais hospitais públicos e gratuitos, de mais varas de pescar e de mais cidadãos dispostos a abrir mão de seus privilégios em prol do bem comum.

 
CP: HD – FCI/ALAMI – outubro/2014

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco”(38)

Esse é um mundo de estátuas da liberdade que nada libertam, de cristos

redentores sem redenção, da busca inocente por dezenas de virgens que
não existem, de ódios, bandeiras, fronteiras e dogmas que dilaceram e
fazem sofrer a troco de nada. Não sou desse mundo. (Ciberpajé)
*
Se você ainda não provou do lado obscuro daquele que caminha contigo e
pensa que esse lado não existe, prepare-se para odiá-lo ou vingar-se
dele. O tempo de beber da escuridão daquele com quem compartilha a
existência, sempre chega. Se você não estiver preparado, poderá
encher-se de ódio e acreditar que o outro foi falso contigo. Na
verdade você conheceu só uma faceta desse outro, e ele é tão complexo
e infinito quanto você! (Ciberpajé)
*
Se você cresce, avança, inevitavelmente irá romper o útero que lhe
abrigava. Se você continuar lá, decretará sua morte. Por isso todos os
ditos portos seguros são úteros apodrecidos que contêm seres
moribundos ou mortos. Viver significa romper úteros constantemente.
(Ciberpajé)
*
Eu sou todos os inumeráveis seres que habitaram nosso jovem planeta
desde o seu surgimento. Eu sou todas as criaturas vivas que vicejam
nos recônditos distantes e inimagináveis da imensidão astral. Eu sou
cada célula que pulsa, cada átomo que vibra, cada elétron que gira,
cada fóton que ilumina. Eu sou, e assim por todo o sempre serei!
(Ciberpajé)
*
A vida sempre envolve dor e prazer, tempestade e bonança. Felicidade é
estar no agora e harmonizado a esses ciclos, experienciando-os, sem
apegar-se a eles, pois tudo no Cosmos e na vida está em constante
mutação. (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela
UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e
professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nas áreas de arte e
tecnologia, performance e histórias em quadrinhos.

 

CP: HD – FCI/ALAMI – outubro/2014

Líquido de sobrevivência universal

O Planeta em sua totalidade enfrenta um dos mais sérios problemas: A falta do mais precioso líquido que a humanidade desfruta e sempre desfrutou : ÁGUA e as consequências geradas por sua escassez… Nas grandes metrópoles onde o fluxo de habitantes é mais expressivo, já começaram a sentir tais efeitos, geradores de total desconforto. A saúde grande potencial da humanidade, fator de vida, de alegria, de felicidade é a maior dependente da água. Água é vida… É energia… Não se sobrevive sem o líquido vital… Os meios de comunicação têm divulgado de forma ampla e determinante a necessidade de se economizar tão importante preciosidade. Infelizmente há quem duvide da realidade, tendo em vista o que se comprova com o desperdício… As geleiras dos pólos há tempos têm demonstrado o aquecimento do Planeta, com sua liquidez, motivado também pela erosão que se processa lentamente. O calor realmente atingiu o ápice nesse final de semana… Simplesmente insuportável, haja líquido, gelo, piscinas, clubes, ar condicionado e ventiladores… Fico a imaginar as pessoas que não dispõem desses confortos?! Sem terem sequer, água potável e natural para tomar, como se tem visto nas TVs; pedreiros de sol a sol no calor torrencial, colocando seu tijolinho ?! E não são poucos… Serviçais que torram sob o astro rei…Haja coração, muito coração…! As chuvas infelizmente não dão o sinal da graça com sua presença tão aguardada e solicitada; sua ausência acelera ainda mais racionamentos. Economizar água é dever de todos. O futuro de filhos e netos, e da própria humanidade, caminha para o caos… A necessidade dessa economia é gritante, só não ouve quem não quer… Imaginar um dia sem água é cruciante… Imaginar a vida inteira com pouca água, ou mesmo sem ela é assustador… Não importa que alguém não faça… Faça você…!!! Comece ainda hoje, se ainda não iniciou… O Planeta agradece… .

 
Adelaide Pajuaba Nehme- Acadêmica da ALAMI
CP: HD – FCI/ALAMI – outubro/2014

Cidadania e justiça

O conceito de cidadania deve ser entendido num contexto histórico, quando se contempla lutas sociais por direitos universais. No Brasil pós-independência, a história é marcada por lutas e movimentos no sentido de fazer valer o que a lei, expressa nas constituições, determina. No entanto, o que se tem verificado é uma cidadania no papel e outra no dia a dia. Enquanto o indivíduo é desrespeitado na porta de um órgão de saúde, tendo a sua dignidade humana ultrajada, não pode ser considerado um cidadão. Enquanto uma mulher é violentada, sendo humilhada na sua intimidade, sem ter a quem recorrer, está longe de ser uma cidadã. Enquanto uma criança precisa perfazer a pé caminhos longos e alagados para chegar a uma escola, estamos muito aquém de uma cidadania plena. Ficamos apenas nesses exemplos para não nos alongarmos, citando casos em que a realidade subverte o estado de direito contra aposentados, idosos, adolescentes, assalariados, presidiários etc.
Para caminharmos no sentido de aliviar essa situação, é preciso que a justiça se faça presente e com olhos bem abertos. É preciso que um governo legitimado pelo voto e pela prática, portanto sendo explicitamente o executor da vontade popular, valorize dois conceitos básicos: liberdade e igualdade. Além disso, da mesma forma é necessário que o indivíduo para se tornar cidadão, se conscientize de sua posição na polis, na cidade. E essa consciência só é alcançada com o esclarecimento conseguido através da educação. É gastando tempo nos bancos escolares, é fazendo serões nas bibliotecas, é se esforçando para satisfazer suas curiosidades sadias. Assim entendemos que o analfabetismo é uma agressão frontal à cidadania, bem como a insegurança que impede o cidadão do seu direito mais substantivo, a vida. Como também o direito de ir e vir, que hoje está sendo desgraçadamente restringido pela ação de bandidos que agem tranquilos, protegidos pela fragilidade da legislação penal. Cada vez mais nossas residências tem se tornado fortalezas, tolhendo a aproximação com vizinhos, prejudicando um relacionamento social saudável.
É preciso salientar ainda que, para haver sintonia entre cidadania e justiça, é necessária a implantação de uma democracia de base, conceito muito bem lembrado por Carlos Nelson Coutinho, no livro intitulado A Democracia como Valor Universal: “O fortalecimento da sociedade civil abre assim a possibilidade concreta de intensificar a luta pelo aprofundamento da democracia política no sentido de uma democracia organizada de massas que desloque cada vez mais ‘para baixo’ o eixo das grandes decisões hoje tomadas exclusivamente ‘pelo alto’”. (Coutinho, 1984:41)
Carece, portanto, fazer valer o sentido da palavra democracia – governo do povo. Para isso é preciso colocarmos nos postos de comando, pessoas que em suas aparições públicas nos convençam de suas intenções. Mostrando planos exequíveis em vez de abusarem de nossa paciência tripudiando sobre ações de outrem. A comparação das intenções administrativas de candidatos, por exemplo, devem se aproximar mais do diálogo lógico e coerente do que de uma corriqueira briga de meninos no recreio escolar.

 
José Moreira Filho
moreira@baciotti.com
CP: HD – FCI/ALAMI – outubro/2014

Uma pequena dica sobre meritocracia

Whisner Fraga é escritor. Contato: wf@whisnerfraga.com.br

 
Nesse dia das crianças quero ensinar pra minha filha que meritocracia é uma das maiores besteiras criadas pelo ser-humano e ainda assim muita gente acredita cegamente nela. Ouço Fulano se enaltecendo: tive de lutar muito para chegar aonde cheguei. Como se não tivesse dependido de uma família que lhe desse amparo o bastante para seguir, ou de uma sociedade que o ajudou de alguma maneira, ou de um governo que lhe propiciou condições favoráveis para um emprego ou algo do tipo. Como se não tivesse sido ajudado por algo ou alguém em algum instante dessa ascensão. Lembro-me de Lima Barreto e de Machado de Assis. Os imprudentes defendem: se eles conseguiram, então qualquer um consegue, basta ter força-de-vontade. A meritocracia acha que é suficiente querer para que tudo dê certo, para que todos tenham sucesso. O único problema nesse raciocínio é que para cada Machado de Assis que conseguiu chegar lá, ficaram cem mil escritores gorados pelo caminho. Não dá para premiar todo mundo, então criou-se o mito da capacidade, da inteligência e da força-de-vontade. Resumindo: a meritocracia tem servido bem para transferir um status de geração para geração. O problema são as intrincadas redes de beneficiamento, as afinidades, as amizades e tudo que permeia o espírito humano. Sem falar, evidentemente, que jamais atuaremos nas mesmas condições de trabalho. Raciocinando assim, a meritocracia pode ser compreendida como uma acirrada competição e nunca se sabe quem a vencerá.
Há muito o que ensinarmos a nossas crianças, para que não repitam os erros que cometemos. Neste dia delas, deveríamos pensar em como torná-las mais aptas a conviver com o próximo em harmonia e não em reproduzirmos ou amplificarmos nossos preconceitos. A fraternidade seria uma grande herança, talvez a mais valiosa, que poderíamos deixar.
Há pouco tempo realizei um estudo profundo sobre o impacto da competição na mente de crianças. A meritocracia, é fato, incentiva a competição. Vemos em nossas escolas crianças competindo pela melhor nota, competindo pelo suco mais fresquinho, competindo por tudo. Isso é terrível. Artigos publicados em todo o mundo comprovam, por meio de pesquisas, que o efeito da derrota ou da vitória na mente de crianças é devastador. O cérebro de uma criança de quatro anos que é derrotada em alguma competição por três vezes seguidas parece aprender e se acostumar com a derrota. Articula mecanismos para não se magoar mais com a perda e passa a ser o que a sociedade chama de fracassada.
Por outro lado, aquela que vence três vezes seguidas parece se entediar com a vitória, de modo que passa a buscá-la com violência cada vez mais evidente. Ou seja: ninguém é beneficiado, nem o vencedor nem o perdedor. E é isso que estamos incentivando em nossa sociedade, a competição desenfreada. Basta ver, caro leitor, como nossos colegas lidam com a derrota ou com a vitória. Basta vez o semblante triste de nosso vizinho quando seu time perde. Não acredite nessa bobagem chamada meritocracia, querido leitor. Estão querendo enganar você e a razão é simples: é preciso que você acredite na meritocracia para que possam passar por cima de seus ideais e de suas crenças.

 
CP: HD – FCI/ALAMI – outubro/2014

Olhares

[Arth Silva]

 
Sorrir com os olhos é encontrar alguém que não te desperte um amor a primeira vista, e sim um amor a todo instante.
Quem já teve alguém assim a ponto de gostar mais dos seus próprios olhos quando tinha os dela ou dele refletidos nos seus, sabe do que estou falando…

Olhos de decote que não te deixam tirar os olhos…
Olhos de ressaca, que te embriagam e viciam.
Olhos de semáforo, que por segurança ou costume te fazem olhar atentamente até que mudem de repente e, com a língua do olhar, te dizem tudo que você deve ou não fazer.
Olhos de bola de gude, olhos emoldurados por óculos… Olhos castanhos que te dizem tudo aquilo que sua boca nunca conseguiu pronunciar…

Olhos que sorriem mais do que a boca e a sua pupila morde cada palavra escrita por ela…

Quem já teve a esperança verde dos olhos de alguém sabe do que falo…

Arth Silva é escritor, desenhista, designer e redator publicitário, especialista em perder canetas azuis.
Autor do livro “Contos à Queima Roupa” e da coletânea de memórias dos idosos de Ituiutaba “Gavetas da memória”.
Seus trabalhos literários podem ser lidos na página “Sonhando a Deriva”.

 
fsarthur@yahoo.com.br

CP: HD – FCI/ALAMI – outubro/2014

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco” (37)

Abomino televisão, a abandonei há alguns anos. Eventualmente, por

curiosidade, zapeio nos canais abertos por uns minutos. Ontem fiz
isso, tinha tempo que não fazia, fiquei assustado pois 90% da
programação é baseada em dois princípios hipnóticos: MORTE e VIDA
ETERNA. A morte é mitificada em programas grotescos que apresentam só
assassinatos, crimes hediondos, violência urbana; já a promessa de
vida eterna – baseada no ato de obedecer certas leis arcaicas
interpretadas de textos antiquados e estéreis, e no obvio pagamento do
dízimo – viceja em dezenas de canais, uma programação tosca baseada no
novo cristianismo monetarista calvinista. Impressionante como esses
paradoxos movem ainda as massas – e que me desculpem os teóricos
acadêmicos do pós-tudo detratores da Escola de Frankfurt- as massas
ainda existem, e são formadas por hordas de idiotas viciados no
hipercapitalismo, ávidos por viver mais para comprar mais e
hipnotizados pela morte alheia que lhes dá uma sensação agradável e
estranha de ainda estarem vivos para consumirem. (Ciberpajé)
*
Não existem mais estados nacionais, é certo que os políticos
tornaram-se simples marionetes nas mãos de quem realmente governa o
mundo, as megacorporações que estão privatizando as fontes de água e
finalmente privatizarão – em seu benefício – o oxigênio que será
cobrado por metro cúbico dos consumidores e decretará a eliminação
instantânea de 9/10 da população global que não terá condições de
pagar para respirar. E a humanidade segue cega, preocupada com
detalhes periféricos como a política de estado, enquanto os
verdadeiros donos do mundo continuam incólumes e gargalham de soberba.
(Ciberpajé)
*
MBAs, ISOs, reengenharia e todos esses rótulos do grotesco mundo
empresarial são títulos honorários do horror mercantilista das
multinacionais devoradoras de tudo e de todos. Sempre dispostas a
competir entre si para disputarem quem suga mais a dignidade e energia
dos bilhões de adictos viciados no ato contumaz de consumirem o que
não necessitam. (Ciberpajé)
*
Por isso abomino bandeiras, por isso renego fronteiras. E ainda querem
insistir que existem países? Uma nação de inocentes programados que se
une para torcer por um time de futebol ridículo que toma de lavada e
pouco tempo depois já revela a verdadeira face estúpida das massas
hiperconsumistas. Hordas de seres adoecidos que se digladiam
grotescamente numa disputa política sem vencedores para a população –
acusando seus pseudo-compatriotas de norte ou nordeste disso, sul ou
sudeste daquilo. Demonstrando uma pobreza de espírito pouco encontrada
nas imensidões desse Cosmos infinito. Um mundo tão distante da
amorosidade, do afeto, do carinho, onde a religião tornou-se nada mais
do que outra forma de dogma doentio que assola o povo, e a política é
o que sempre foi: o ninho nefasto das serpentes mais venenosas e
cruéis da galáxia, de onde nada de amoroso ou realmente vivo pode
sair. Eu sou o vento, nada pode me parar, e eu realizo a única
revolução possível, a minha revolução, a revolução do indivíduo, na
procura de ser, em busca de tornar-me mais amoroso, de eliminar todas
as fronteiras de meu coração e amar incondicionalmente essa nossa
espécie tão controversa. (Ciberpajé)
*
Todos fogem da tempestade, mas o Lobo corre em sua direção, e ao
chegar ao seu epicentro torna-se a tempestade. (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela
UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e
professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nas áreas de arte e
tecnologia, performance e histórias em quadrinhos.

 

CP: HD – FCI/ALAMI – outubro/2014