Vocês conheceram o Pascoal?

João Corrêa de Almeida
— Você não está vendo o sol nascer quadrado, por ser muito amigo de seu patrão José Henrique. Senão, estaria na cadeia e pagaria multa alta. Você não é cego e sabe ler. Todos que passam na encruzilhada da minha fazenda vêem a tabuleta pregada no mourão da porteira: PROIBIDO CAÇA E PESCA — disse o fazendeiro de tradicional família da região do Campo Alegre, fabricante da tradicional cachacinha Zé Marciano.
Os pés-de-cana, ao chegarem nos botecos, estufavam o peito e diziam:
— Se não for do Zé Marciano, não bebo.
A prefeitura de Ituiutaba melhorou as estradas do município. Na fazenda do Senhor Zé Marciano, fez uma pequena barragem no igarapé para um pontilhão; o que o transformou em uma pequena represa. Com o represamento, pouco depois, passou a um grande lago, cheio de camalotes de aguapés e taboas. Misteriosamente, na represinha, apareceu um filhote de jacaré. O fazendeiro recebeu o inquilino de braços abertos. Quando chegava alguém na barranca da represinha, ele sumia misteriosamente, escondendo-se entre os igarapés e as taboas.
O bicho foi crescendo e amansando-se com o dono. Sempre levava tripas ou buchadas para o sáurio. Batizou-lhe com o nome de Pasqual. O senhor Zé Marciano sempre o visitava, nunca esquecia de levar um naco de carne ou resto de uma comida qualquer. Certa manhã de domingo de folga, fomos passar o dia com nosso amigo de caçadas e pescarias. Os senhores Tancredo, Jorge Jabur e eu chegamos de manhã para o almoço. Por ordem da patroa, Benedita, pegou uma espiga de milho, no terreiro de chão batido, e foi debulhando-lhe e jogando os grãos, chamando a galinhada:
— Titititi… — e a galinhada foi chegando.
Chamou, então, o Veludo, um vira-lata:
— Pega, pega, Veludo, aquele carijó grande e o índio de pescoço pelado…
Benedita, como de costume, pôs a tripada no balde e chamou:
— Pasqual, Pasqual… — e nada de ele aparecer…
Estávamos chamando pelo sáurio, quando chegou o carroceiro da fazenda do Senhor Higino:
— Tenho certeza não, vi o sapateiro do Zé Henrique levando umas perdizes e um jacaré. Não tenho certeza, mas pode ser ele mesmo.
Nunca mais o Pasqual foi visto. Por certo, foi o prato predileto na mesa de quem o matou.

 
João Corrêa de Almeida, 1927, é acadêmico da ALAMI desde 1997 – ocupa agora a Cadeira da Saudade. Publicou dois livros de contos: “Arrocho no coração”, 1996, e “Eu era o fotógrafo”, 2006. Colunista do Jornal do Pontal, de Ituiutaba, publicava semanalmente contos, causos e crônicas, sempre dedicados a alguém de seu universo pessoal ou da sociedade tijucana. Com estilo enxuto, fluido, leve e cativante, marcado pela brasilidade e pela mineiridade, João Corrêa entrelaça memória, poeticidade e ficção, num jogo sensorial e polifônico. Partiu para o Oriente Eterno no dia 06/12/2011. As suas crônicas serão publicadas na última terça-feira, de cada mês.

 
CP: HD – FCI/ALAMI – janeiro/2015

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco” (51)

 

A mente perturba-se por nada e constroi fantasmas com nuvens inocentes. O coração nunca erra, e é o único apto a amar, amar sob vontade. (Ciberpajé)
*
O amor que você procura no outro, que você desesperadamente deseja e tenta comprar, está à sua volta, te envolve sem cobrar nada em troca, mas você não vê, embotado que está pela serpente venenosa do ego. O amor é o uivo do Lobo, é a tonalidade da flor, o amor. (Ciberpajé)
*
Ao tocá-la, gloriosa árvore do cerrado, conectei-me à sua essência e suas raízes profundas galgaram comigo os reconditos infinitos do Cosmos eterno. (Ciberpajé)
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Somos efêmeros, somos eternos, somos selvagens, somos serenos. (Ciberpajé)
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Abomino todos os esportes, pois a palavra “esporte” tornou-se na contemporaneidade um sinônimo de competição, dogmatismo, ufanismo, vitoriosos e derrotados, ou seja, ódio e soberba. Mas curiosamente, dentre todos os tais deploráveis esportes, o único que consigo dar umas olhadelas e não achar tudo completamente ridículo é o MMA, pois na verdade todo esporte tornou-se simplesmente uma luta idiota para vencer o outro a todo custo – mesmo que através de anabolizantes esteróides, e outras estratégias ilícitas. É inclusive muito comum os esportistas partirem para as vias de fato, usando violência e crueldade contra seus adversários, até em copas do mundo e olimpíadas. Então, diante dessas constatações obvias, o MMA seria o único “esporte real”, é porrada mesmo, revela descaradamente tudo que os outros são. Pena que essa “modalidade esportiva”, como todas as demais, também envolva muito dinheiro, sujeira, conchavos e falcatruas. E não me venha com essa conversa de que “esporte é vida e saúde”, exercícios são vida e saúde. Eu, inclusive, pratico uma arte marcial não competitiva e isso é magnífico. Mas “esporte”, isso atualmente é doença e morte, é empobrecimento do espírito, é idiotização completa e irrestrita! (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG. Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nas áreas de arte e tecnologia, performance e histórias em quadrinhos.

 
CP: HD _ FCI/ALAMI – janeiro/2015

Alguém sairá ileso?

Whisner Fraga

Sei que o leitor deve achar chato encontrar na internet textos e mais textos sobre a crise da água, mas me sinto na obrigação de me posicionar mais uma vez sobre este assunto. Não é fácil ler todos os dias notícias catastróficas nos jornais, então eu fico tentando encontrar algum ponto positivo nessa celeuma. Sei que não é do dia para a noite que as pessoas se conscientizarão de que os recursos naturais são finitos. Sei que não é desta vez que todos transformarão seus banhos de quinze minutos em banhos de cinco minutos ou pararão de lavar a calçada ou o carro. Sei de tudo isso.

O lado bom, então, desse apuro é saber que finalmente a discussão chegou em nosso país. Descobrimos que o calor não é o vilão da história. Que não há falta de chuvas (assistimos todos os dias a inundações em nossa cidade, a enxurradas carregando parte da vida de cidadãos de bem). Que esse lance de aquecimento global, esse negócio de efeito estufa, não é bem do jeito que imaginávamos. Quero dizer: ainda estamos descobrindo.

Um amigo está construindo um sistema de captação de chuva em sua casa. Ótima saída, mas sabemos que não é para qualquer um. Fica cara tal opção. Acho que os prédios poderiam pensar em algo do tipo. Porque, como falei, chove. Chove bastante neste verão. Sabemos que isso não quer dizer que meu colega está consciente do problema do esgotamento dos recursos naturais, mas que está tentando encontrar sua própria solução para a falta de água em casa. Não há nada de grave ou de errado nisso.

Como já escrevi em outras crônicas, o Estado deveria socorrer os vulneráveis e não os ricos. Só que os estados mais ricos de nosso país, isso é de uma triste obviedade, governando para os cidadãos mais abastados, tratou de gastar seu orçamento em benefícios que atingiram apenas uma pequena parcela da população. Daí que a melhoria de todo o sistema de captação de água acabou ficando em segundo plano. Consequência: vazamentos e mais vazamentos e impossibilidade de se aproveitar tanta chuva que chega às cidades.

Talvez as pessoas agora se toquem que não dá para ficar desperdiçando. Não dá para achar que a natureza vai dar conta do recado. Várias cidades em nosso país ainda não praticam a coleta seletiva, o que significa que não reciclam nada. O mercado incentiva o consumismo e a gente acaba caindo nessa. Precisamos cair menos. Daí que nos cabem algumas perguntas muito básicas: precisamos trocar o celular todo semestre? Necessitamos mesmo daquele novo modelo de tênis que chegou recentemente ao shopping center? E assim por diante.

Não vou nem citar o desperdício de alimentos para não deixar o leitor mais chateado ainda comigo. Carecemos de um olho do tamanho da barriga. Ou menor. O que estou tentando dizer é que o mundo não vai acabar tão cedo. A humanidade, talvez. A natureza, com sua incrível capacidade de adaptação vai superar tudo isso. Já os seres humanos, frágeis, dependentes, podem se dar mal nessa história.

 CP: HD – FCI?ALAMI – janeiro/2015

O homem e a natureza

 

Desde que o homem apareceu na face da terra, há milhões de anos, que ele vem tendo com a natureza uma relação direta. Podemos até imaginar uma fórmula simples que nos mostra pedagogicamente essa relação. Seria: H < N ; H = N ; H > N e H ? N, onde o H representa o homem e o N a natureza. Pois bem, no início da pré-história, o homem era menor que a natureza, (H<N), ou seja, sofria com as agruras do tempo. O frio o castigava, as tempestades o apavorava e os animais o devorava. Depois o homem equipara-se a natureza, (H=N). Identifica-se com ela e vive em harmonia. Para se livrar das tempestades, abriga-se nas cavernas, para amenizar o frio, faz fogueiras, para se alimentar colhe frutos e já abate animais. Sua preocupação única era sobreviver. Em seguida usando sua inteligência e habilidades, passa a dominar a natureza, (H>N). Aí sim, resolve com técnicas e invenções muitos dos problemas que o afligia. Consegue colheitas mais abundantes, supera as dificuldades com as intempéries usando as mais sofisticadas invenções e até encurta as distâncias, perfurando montanhas, construindo navios e aviões. Controla a natureza, inclusive fazendo chover.
Hoje, porém, sabemos que essa relação do homem com a natureza é agressiva, é altamente prejudicial a ela e a nós. O modelo de civilização adotado é altamente danoso ao meio ambiente. Ao procurar facilidades e conforto o homem abre mão de uma vida mais natural, principalmente com relação à alimentação. Ao preferir o automóvel, o homem não caminha. Ao preferir o fast-food, não dá ao seu organismo o tempo e a oportunidade de uma digestão completa e satisfatória. Ao preferir a televisão, nega-se a si mesmo, a opção da reflexão. Da meditação. Hoje, desde a infância, tudo nos chega pronto. A criança não constrói mais seus brinquedos, a comida é encontrada pronta e o pensamento já nos chega ruminado pela telinha. Hoje consideramos, com muita propriedade, o último item da fórmula citada: H ? N. O homem se encontra perdido diante da natureza. Não sabe o que fazer para, pelo menos, minimizar os efeitos terríveis causados pelas respostas da natureza às agressões seculares provocadas pelo homem. As secas podem ser um exemplo.
No entanto, é sempre bom lembrar, que as ações danificas do homem contra a natureza, não são frutos de ignorância ou incapacidades. São sim falta de boa vontade, especialmente política, de nossos administradores públicos. Acrescendo-se a isso uma forte dose de ganância, de egoísmo e de falta de urbanismo por parte de muitos capitalistas que, por “n” razões, tem em suas mãos o destino de fortunas consideráveis no mundo.
Mais uma vez, venho bater na velha tecla, que a meu ver, é a única opção para, em médio prazo, salvar as futuras gerações de uma catástrofe: a educação. Colocarmos na cabeça de nossas crianças que a água, a terra, o ar, as árvores são sinônimos de vida. Que se destruirmos esses elementos, estaremos destruindo a nós mesmos. Ou veremos concretizar as previsões de São João no seu livro canônico – O Apocalipse.

 
José Moreira Filho
moreira@baciotti.com

CP: HD – FCI/ALAMI – janeiro/2015

Fundação Cultural de Ituiutaba doa cesta de alimentos ao Lar do Idoso “Pe. Lino José Correr”

A Fundação Cultural de Ituiutaba, dirigida pelo professor Francisco Roberto Rangel tem cumprido com muita eficiência e dedicação, não só, a promoção da cultura em nosso município, mas também realizado uma ação social advinda das oficinas do Espaço Cultural Benedito Santana, ou seja, a distribuição de cesta de alimentos, a entidades sociais, através de arrecadação de alimentos não perecíveis, fruto das matriculas realizadas nas diversas oficinas, onde é exigido um quilo de alimento não perecível no ato de cada matricula.
Todos esses alimentos têm sido doados as entidades filantrópicas desde quando Rangel assumiu o comando FCI, em janeiro de 2011.
Desta feita a entidade beneficiada foi o Lar do Idoso “Pe. Lino José Correr, que tem em sua presidência, Ronei de Souza, e abriga atualmente, cinquenta e nove internos, de ambos os sexos.

 
Saiba mais sobre Ituiutaba, acesse: www.portalituiutaba.com.br
(Ituiutaba, 21 de janeiro de 2015).

Fundação Cultural de Ituiutaba faz licitação para aquisição de veículo

A Comissão Permanente de Licitação da Fundação Cultural sob a presidência de Lilian Cristina de Oliveira Dias reuniu-se na tarde desta segunda-feira, 19, às 14h na sede da entidade, a fim de receberem documentos e propostas apresentadas por empresas de revenda de veículo desta cidade, visando à aquisição de veículo zero quilômetro, para a entidade.
O processo licitatório nº 001/2015, foi realizada na modalidade carta convite número 001/2015, tipo, menor preço global. Duas empresas desta cidade apresentaram proposta: Venture Veículos Ltda., vencedora do processo licitatória com o menor e a empresa Distribuidora Maudi de Veículos Ltda..
Ao final foi adquirido o veículo marca Pálio, alimentação bio combustível – gasolina e etanol, cor branca, quatro portas, direção hidráulica, ano de fabricação 2014.
O presidente da FCI, professor Francisco Roberto Rangel esteve presente na realização da licitação, considerando-a muito importante, visto que a aquisição desse veículo vem preencher uma necessidade há muito reclamada pela entidade que ele dirige, e que tudo isso só está sendo possível, graças à sensibilidade e reconhecimento da justiça desta cidade, representada pelo Juiz de Direito, Dr. Marcos José Vedovotto, que doou recursos financeiros a Fundação, para aquisição desse veículo, devido os projetos sociais que vem realizando.

 
Saiba mais sobre Ituiutaba, acesse: www.portalituiutaba.com.br
(Ituiutaba, 20 de janeiro de 2015).

Palavras… São mais que palavras

Elas têm um poder enorme de destruição ou de salvação, depende de quem, quando e como dizê-las. Destroem ilusões, sonhos e impérios, mas também salvam almas, destinos e governos. Por outro lado, às vezes, se não são ditas, se não são gritadas, transformam-se em omissão e esse pecado, da mesma forma permite catástrofes.

Em muitas situações as palavras são sutis, subliminares e nós as aceitamos, depois tornam-se mais evidentes e como não nos dizem respeito diretamente, nos calamos, em seguida estarão nos megafones, nas TVs e nós nos omitimos, daí se tornam leis e decretos e nós só fazemos obedecê-las. A partir desse momento a reversão se torna quase impossível, talvez só através de ações truculentas. Portanto, em nossos relacionamentos é de suma importância que atentemos para a intenção das palavras. É preciso fazer uma leitura dos sinais físicos do interlocutor e observar as circunstâncias do momento para se detectar as intenções ocultas.
Por outro lado, quando falamos, é preciso que cuidemos para que nossas palavras não sejam armas destrutivas, para isso temos que estar conscientes, termos certeza, autocontrole e equilíbrio emocional. Arrepender do que dissemos no calor das emoções é de mínimo efeito. É como recolher penas espalhadas pelo vento, fica sempre alguma perdida pelo caminho. O melhor mesmo é obedecer nossa natureza física: dois ouvidos e uma boca, para que ouçamos duas vezes e falemos uma.
As palavras antes de serem ditas são formadas no cérebro através do pensamento, portanto não é verdade que se diga algo sem pensar. Pode-se não pensar nas consequências, no efeito daquela palavra. Isso sim acontece com frequência. Portanto é preciso que reflitamos bem antes de emitir uma opinião, por exemplo, ou fazer uma promessa, para que nossas palavras não estejam carentes de honradez. É comum depararmos com o tal “da boca pra fora”: “mais tarde te ligo”, “pode contar comigo”, “te amo mais que tudo” etc. e nada disso se concretize. Além disso, sabemos que o pensamento é energia e como tal pode se materializar. Assim se pensarmos positivamente, se refletirmos sempre sobre o bem, acabamos atraindo coisas boas. A realidade acompanha a palavra assim como a roda da carroça acompanha a pata do cavalo que a arrasta. Outra questão interessante em relação às palavras é a tal da brincadeira. Por receios de ofender ou de criar um clima desagradável, após dizer palavras fortes, imediatamente emenda-se: “É brincadeira…” mas sabemos que o tal “fundinho de verdade” sempre existe.
As palavras são tão poderosas que ao sábio, bastam alguns minutos ouvindo um desconhecido, para saber perfeitamente de quem se trata.

 
José Moreira Filho
moreira@baciotti.com

CP: HD – FCI/ALAMI – janeiro/2015

Não se brinca com coisa séria

Os acontecimentos mais recentes do planeta, levam ou deveriam levar o homem à reflexões. São fatos que envolvem nações, dirigentes, legisladores e executivos, o povo em sua totalidade e principalmente os sentimentos. Fatos e ocorrências que provocam muita dor e muito sofrimento, e que envolvem adultos e crianças… Ninguém é de ferro… Na realidade o único mandatário, que reina absoluto, que tem poder de tudo e sobre tudo, é sem dúvida o Criador desse imenso Universo, oferecido a todos de forma gratuita e em perfeito estado de conservação… Muitos ainda não sabem, e nem descobriram que ninguém é dono de nada… Nada nos pertence… Quem passou a escritura?!… Esse ilimitado planeta é obra Divina de Seu Criador… Foi dado à humanidade por inteiro, e de forma generosa a decantada liberdade, para agirem, a seu bel prazer; com as consequências relativas às causas também… Todos querem ser livres, e desfrutarem dessa liberdade ao máximo, sem limites; seres humanos e seres animais. Os excessos poderiam até serem cometidos, porém sem SUA aprovação. Entretanto foi deixado um “manual” de conhecimentos inusitados e necessários, onde os caminhos seriam mostrados, orientações prescritas e formas de ação. Manusear e se inteirar do conteúdo seria também livre para todos… Que Mestre talentoso e inteligente, não forçou ninguém a nada…! Segundo os mais entendidos, e estudiosos, vários “manuais” continuam fechados, nunca foram tocados; outros porém bem manuseados, interpretados e até seguidos… A oração e a fé removem montanhas, já diziam nossos avós… Fazer uso constante dessas alternativas sagradas é algo relevante, diante das intempéries provocadas. O povo merece uma vida melhor; parar de sofrer faz parte das necessidades gritantes. E todos sofrem diante de fatos que tocam à sensibilidade, mormente quando não se pode mudar ou fazer nada… Isso em sentido generalizado. Já se aproxima o carnaval, época em que o bom censo e a razão perdem a força, as preservações e o equilíbrio patinam diante das bebidas, das oportunidades que se agigantam e outras agravantes entram em pauta. Evitar-se as incidências é dever de todos… Levar sofrimento aos familiares, aos amigos e até aos desconhecidos é algo lastimável, ninguém merece e ninguém tem esse direito. Que Deus tenha piedade de todos àqueles que sofrem, e dos que provocam o sofrimento alheio… Não se brinca com coisa séria…

 
Adelaide Pajuaba Nehme- Acadêmica da ALAMI
CP: HD – FCI/ALAMI – janeiro/2015

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco” (50)

Trata-se de um inimigo colossal, perigoso, letal. Levei anos para descobrí-lo, desvendar suas intenções, perceber seu interesse em sabotar-me. Esse inimigo não é um demônio, não é um deus, não é um fantasma, esse inimigo é a imberbe e petulante “cultura humana” que foi incutida em meu espírito, a cultura que embotava o animal em mim e que queria sobrepujar minha essência cósmica, a cultura que me ditava dogmas e leis de conduta moral, a cultura que acreditava ser parte de mim, ou muitas vezes ser meu eu mais valoroso. A cultura que batalho a cada dia para transformar em lixo, para enterrar por completo, deixando-me SER o animal universal que aflora de minha integralidade. (Ciberpajé)

*
Muitas das árvores do Cerrado só começam a florescer e a dar frutos depois dos 500 anos de idade. São organismos com uma experiência muito mais profunda de Gaia que podemos conceber. Devemos a eles nossa reverência e gratidão, precisamos abrir nossos perceptos para aprendermos o que eles têm a nos ensinar. Aqueles que abatem uma dessas criaturas ancestrais deveriam ser condenados como assassinos cruéis, mas infelizmente estão por aí desfilando em carros caríssimos e ostentando em suas mansões, castelos hediondos frutos de genocídios impunes. (Ciberpajé)
*
Não sou cristão, não sou judeu, não sou ateu, não sou muçulmano, não sou umbandista, não sou flamenguista, nem corintiano. Não sou mineiro, não sou baiano, não sou evolucionista, nem pavloviano. Não sou freudiano, não sou junguiano, não sou marxista, não sou hipercapitalista, não sou brasileiro, ou maometano, não sou cubano, nem norte americano. Não sou petista, não sou tucanista, não sou democrata, não sou anglicano, não sou nazista, não sou peronista, nem havaiano. E se para ser humano é preciso ter um rótulo dogmático, declaro-me então pós-humano. (Ciberpajé)
*
O desenvolvimento massivo dos chamados esportes, deploráveis formas abstratas e aparentemente lúdicas de incitar a competição, aconteceu após o equívoco de Darwin tornar-se lei no mundo ocidental. O conceito darwinista da sobrevivência do mais apto em detrimento de todos os outros ignorou completamente a sinergia e a existência de uma cooperação interespécies para a manutenção da biosfera, e o darwnismo tardio hipercapitalista – reforçado pela ideia do “gene egoísta” de Richard Dawkins – tornou-se algo preponderante desde o Século XX. A competição é a base do esporte, que por sua vez metaforiza a competição na sociedade, e alimenta a ilusão impossível de ser “um vitorioso”. Já que para a essência cósmica, quando um perde, todos perdem. Nada de positivo e transcendente pode provir desse princípio obtuso e de interesses egóicos. Pena que “A Hipótese Gaia”, de James Lovelock, o mais sóbrio dos biólogos de nossa era, foi esquecida, e o darwnismo galopante seja a filosofia reinante e pregada pelas multinacionais e seus asseclas. Sem a copa, as olimpíadas, e todas as competições patrocinadas pelos oligopólios, esse seria um mundo um pouco mais harmônico. O darwinismo reinante tornou as antigas brincadeiras lúdicas e sinergéticas entre os seres humanos em uma forma deplorável de competição batizada de “esporte”. (Ciberpajé)
*
Às vezes sou o afago depois da mordida, noutras a dentada que abre a ferida. (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG. Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nas áreas de arte e tecnologia, performance e histórias em quadrinhos.

 

 

CP: HD – FCI/ALAMI – JANEIRO/2015

Sai o resultado do IX Concurso de Contos do Tijuco “Jaci de Almeida”

Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba (ALAMI) divulga o resultado do vencedor do IX Concurso de Contos do Tijuco “Jaci de Almeida” e os demais contos selecionados sem ordem de classificação:
1º lugar – O cheiro do pão
Autora: Michele Eduarda Brasil de Sá
Brasília – DF
– Doutora em Letras Clássicas pela UFRJ (2008). Atualmente é professora adjunta da Faculdade de Letras da UFRJ, em exercício provisório no Instituto de Letras da UnB.

Contos selecionados sem ordem classificatória:

Elmo campanha e o mate
Autor: Leopoldo E. Arnold –
Rio Grande do Sul (não informou qual o município)
– Formado em Direito. Servidor do Ministério Público – RS.
Autor de mais de 100 artigos publicados em 10 Jornais do Estado do Rio Grande do Sul.
Premiado em vários concursos literários.

Faz de conta que a gente não viu nada!
Autor: Celso Antonio Lopes da Silva
Guará – SP
– Graduação e pós graduação em Letras/Literatura brasileira. Atua em Comunicação e Marketing. Premiado em vários concursos literários. Livros publicados: “Diário quase falado do meio do caminho” -poesias – “Pedra na contraluz” – contos – “Dei bandeira, hein?” – mosaicos urbanos –

A existência quase real de Jaque Prozac
Autora: Giovanna Artigiani
Florianópolis – SC
– Terapeuta ocupacional e escritora. Mestre em Antropologia social.

O rapto da alma
Autor: Roque Aloísio Weschenfelder –
Santo Cristo – RS.
– Graduado em Letras, Professor de Línguas e Literatura, Revisor de textos e livros. Livros publicados: “Mundo de impressões” – poesias – “Restos mortais” – contos – “A borboleta Brilhante” – história infantil – “Criança na poesia” – poesia infantil – “O ouro dos Dias” – coletânea de textos premiados em concursos literários – “Escrita sem Stress” – tratado sobre produção textual – “E se não vier?” – contos -. É multipremiado em concursos literários e integra mais de uma centena de antologias.

Os olhos da imaginação
Autor: Rafael Alvarenga Gomes
Estado do Rio de Janeiro – (não informou o município)
– Professor de Filosofia no estado do Rio de Janeiro. Cronista do jornal Beira-Rio. Livro publicado: “Dia e noite no jardim”. Premiado em vários concursos literários.

Ruídos
Autora: Márcia Tondello
Rio de Janeiro – RJ
– Atriz; Cantora; Compositora; Dubladora. Vocalista e compositora da Banda Vide Bula (1991/1997. Bacharel em Teatro e Dramaturgia, com cinco peças escritas. Premiada em concurso literário.

Des/amor
Autora: Maria Apparecida S. Coquemala
Itararé – SP
Licenciada em Letras. Especializada em Lingüística. Cronista de O GUARANI, jornal de Itararé –SP. Autora de poesias, crônicas e contos premiados no Brasil e exterior. Várias vezes premiada no Concurso Contos do Tijuco.

Conto de fadas moderno
Autora: Júlia Antuerpen Menezes Munari.
São Paulo- SP.
– Roteirista e escritora pós graduada em Roteiro para Cinema e TV. Bacharel em Ciências Econômicas; Máster Degree em Programação Neuro Lingüística. Finalista e ganhadora de diversos editais e concursos privados de Roteiro e Literatura: Melhor Roteiro de Ficção pelo Green Nation Fest 2012 (em parceria com a Rede Globo); entre outros.

Ouçam os pássaros cantando
Autor: João Camilo Campos de Oliveira Torres
Belo Horizonte – MG
– Formado em Publicidade e Propaganda pela PUC-MG. Especialista em Arte e Educação pelo IEC/PUC-MG.
Autor de contos presentes em três coletâneas publicadas pelo projeto: “ Livro de Graça na Praça”. Escreveu o roteiro da graphic novel “Sci-Fic Punk Project”, publicado pela Ediouro.

COMISSÃO JULGADORA:

Saavedra Fontes
Bacharel em Ciências e Letras;
Radialista; Escritor.

Francisco Ângelo de Freitas “Chico Ângelo”
Formado em Letras – FEIT/ UEMG; Professor; Escritor

Geórgia Maria Finholdt Ribeiro
Formada em Letras com Pós Graduação em Direito Educacional;
Analista da Educação.

 

CP: HD – FCI-ALAMI – janeiro/2015