Cancelamento do Edital do Concurso de Viola – 04 de maio de 2015

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Retificação do Edital – 1º FESTIVAL DE VIOLA FAVORITA FM

A Comissão Organizadora do 1º FESTIVAL DE VIOLA FAVORITA FM, comunica e torna pública a RETIFICAÇÃO do Regulamento no item descrito abaixo.

Participante

 
Onde se lê
04) Cada concorrente poderá participar do Festival de Viola Favorita FM, somente com uma música e o participante deverá ter idade mínima de 18 (dezoito) anos completos, até a data da inscrição.

Leia se
04) Cada concorrente poderá participar do Festival de Viola Favorita FM, somente com uma música, poderão se inscrever para o 1º FESTIVAL VIOLA FAVORITA FM qualquer pessoa, de ambos os sexos, a partir de 16 (dezesseis) anos. Menores de idade deverão necessariamente estar acompanhados dos pais e ou responsável legal, caso sejam selecionados.

 
Ituiutaba, 02 junho de 2015.

 
Comissão Organizadora

1º FESTIVAL DE VIOLA FAVORITA FM [Retificado]

Regulamento [tire aqui suas dúvidas]

 

Da Organização

 

O 1º Festival da Viola Favorita FM será promovido e realizado pela Rádio Favorita e pela Fundação Cultural de Ituiutaba.

 

            Objetivos

 

  • Divulgar e projetar a cidade como pólo cultural – artístico, realizando um festival que resgate a qualidade musical, divulgando, reconhecendo e incentivando a música sertaneja raiz.

 

  • Desenvolver nos participantes a autoconfiança e socialização, revelando valores na área da música, divulgando sua arte, melhorando suas técnicas e proporcionando a troca de experiências.

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“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco” (80)

As filosofias orientais, em sua maioria, têm como base a ação, a
aplicação do princípio filosófico à vida ordinária, visando a
transformação. Princípios profundos, mas apresentados de forma clara e
simples. Já a filosofia ocidental, tem como característica ser
extremamente verborrágica, prolixa, hermética e quase sempre estéril,
incapaz de produzir qualquer mudança mínima na vida das pessoas,
muitas vezes criando mais complexidades e desvarios. As exceções
comprovam a regra. Curiosamente os ditos intelectuais acadêmicos
ocidentais têm uma ojeriza contumaz contra a filosofia oriental,
considerando-a misticismo barato. Com a pompa pedante e loquaz que
lhes é característica, adictos de uma ineficaz intelectualidade,
promovem um verdadeiro vício inócuo pelo pensamento hermético de
filósofos pernósticos como eles, girando em volta dos próprios umbigos
em discussões vazias, em milhões de páginas de interpretações insossas
e estanques. (Ciberpajé)
*
Não, já repeti inúmeras vezes e reitero novamente, o Ciberpajé não é,
não foi e nem será guru de ninguém! Gostaria sinceramente de ter o
poder de curar os corações e almas de toda a humanidade, mas tenho a
clareza que só posso curar o meu coração e a minha alma. Curar-me já é
uma tarefa árdua e complexa. A batalha diária da auto-revolução!
(Ciberpajé)
*
De pedras e vento eu fui feito, e então um deus pelo nada fui eleito.
(Ciberpajé)
*
Nesse mundo veloz, de tantos compromissos sem sentido, só os loucos e
rebeldes sorriem na tempestade, contam estrelas, colecionam pedras,
tocam borboletas, uivam com os lobos. (Ciberpajé)
*
Se você tem uma visão de mundo diversa da do status quo vigente,
cuidado, não entre em discussões, ou gaste suas energias em debates em
ambientes que estejam repletos de detratores aliados aos valores
dominantes. Isso será pura perda de tempo e desgaste de sua aura, e em
casos severos você poderá até ser assassinado pela turba de idiotas
dogmáticos defensores de seus paradigmas. Guarde suas energias para a
criação e a autotransformação, sempre! (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela
UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e
professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nas áreas de arte e
tecnologia, performance e histórias em quadrinhos. ciberpaje@gmail.com

Parabéns Durval Teodoro de Oliveira Junior, pela colação de grau no Curso de Direito

Colou grau na FORTIUM – Faculdade e Universidade em Geral em Brasília, no curso de Direito, no último dia 17 de agosto de 2015, o jovem ituiutabano Durval Teodoro de Oliveira Júnior.
Juninho, como carinhosamente é tratado por nós seus familiares e amigos, iniciou seus estudos na FEIT/UEMG, em 2010, em Ituiutaba – MG. Devido ter sido aprovado em um concurso público Distrital continuou seus estudos na referida Faculdade na capital federal onde, com muita aplicação completou o curso de direito, tendo se destacado entre seus inúmeros colegas de curso. Fato marcante que merece destaque é que o aplicado formando, antes mesmo de receber seu diploma, prestou o exame da OAB, tendo sido um dos aprovados com destaque na primeira fase e está se preparando para a segunda fase, no dia 13 de setembro e por certo não terá dificuldade em sua aprovação.
Orgulhosos, nós seus familiares referenciamos essa grande vitória conquistada com muito sacrifício, o que a torna ainda mais gratificante, mais concreta e incontestável. Pois sabemos que não foi fácil, a caminhada foi árdua, as dificuldades imensas, mas com determinação e muita perseverança fostes eliminando os obstáculos que se interpunham em sua jornada. Trabalhar, estudar e dedicar-se à sua família eram os grandes desafios à serem vencidos, sacrificar momentos de lazer para conquistar o prêmio maior que somente é conferido aos que acreditam e se dispõem a conquistar, o diploma do tão sonhado curso, enriquecido, com outra grande vitória, pois antes mesmo de você receber esse diploma fostes aprovado no exame da OAB na primeira chamada, mostrando seu comprometimento com os estudos, o que torna essa grande conquista especial e faz de você um extraordinário vencedor. Parabéns Durval! Sentimo-nos honrados em sermos seus familiares. É de homens como você que esse país precisa. Acreditar que é possível vencer as adversidades que nascem para serem superadas, assim como você superou todas para concluir seu curso.
Durval, que no exercício desta brilhante profissão que escolheste para exercer sejas um profissional digno e bom, por que já mostrastes ser digno e bom como filho, em razão disso és querido e respeitado, por todos nós, por seus amigos e pelos seus companheiros de curso, devido à bondade que sempre inundou sua existência, sendo um exemplo de ser humano, admirado por todos que o cercam. O País não quer apenas mais um profissional na área do direito, quer um profissional direito, diferente, que seja capaz de encontrar saída legal para qualquer situação que exija conhecimento, sensibilidade e, sobretudo, discernimento e senso de justiça, amparando e defendendo aqueles que necessitam serem defendidos, independentemente da classe social que pertençam ou das posses que tenham.
Receba os nossos cumprimentos e que a partir desta diplomação encontre no direito, o direito de se realizar profissionalmente, independente do que vieres amealhar, buscando no direito, o direitode ser feliz.
De sua mãe, Margarete B.M. Dias, padrasto Hairton Dias, irmã Dra. Flavia, demais familiares e amigos.
(Ituiutaba, 24 de agosto de 2015)

Existencializando

Bom Dia!
Você quer ficar numa boa?
Então deixe de tanta seriedade e saia por aí à toa.
Pra que ficar preocupando se a bolsa caiu ou subiu
Se a Presidente ficou ou saiu…
Qual é a diferença de ser rico ou pobre
Se o que interessa no final é uma alma nobre!
Ter um carro importado, o top da moda lhe satisfaz?
E um “bom dia” sincero, um abraço gostoso, um beijo de amor, é capaz?
O que, pra você, realmente importa? Já descobriu?
Não deixe seus sentimentos misturarem-se com o que ouviu.
Leis e normas são inventadas pra regular situações,
Mas ao serem propostas não consultam corações.
Não negue os desafios, eles podem ser treinamento,
Aumentando as forças e a energia em cada momento.
Não pode enfrentar um monstro sem conhecê-lo,
Como não pode fingir que não existe e escondê-lo.
Felicidade é possível, mas é opcional,
Dependendo sempre do espírito e do emocional.
Aceitar que na vida sucesso se alterna com adversidade,
É o primeiro passo pra vencer qualquer dificuldade.
Entender de vez que simplicidade com eficiência
Não quer dizer pobreza, e sim decência.
Tudo isso nos lembra que devemos consumir pra viver
E não viver para consumir tudo que ver.
Seja como for, ou como tenha de ser, mas faça valer a pena,
Pois segundo Benjamin Disraeli: A vida é muito curta para ser pequena.

José Moreira Filho
moreira@baciotti.com

Violetas e…

Saavedra Fontes
A flor é um dos presentes mais notáveis que a Natureza nos dá. Acredito que não há quem não goste delas, com preferências individuais, é claro por esta ou aquela, pois são muitas. Só no Brasil são mais de 60 mil e afirmam os botânicos que a cada dois dias são encontradas mais espécies para serem catalogadas. A terra é uma parturiente especial, fértil e artista, é capaz de gerar um número incalculável de belezas.
Os romanos ficaram conhecidos pela sua preferência pelas rosas e afirmam os historiadores, que eles as plantavam mais do que os alimentos. Já os gregos tinham preferência pelas violetas, que representavam para eles o amor de Zeus pela sua sacerdotisa, com o significado de lealdade, modéstia e simplicidade. A roxa é minha flor favorita, mas elas existem nas cores brancas, vermelhas, azuis e até mesmo mescladas. Nas horas mágicas de inspiração poética, em que a alma levita e me transporta ao mundo da imaginação romântica e lírica, não consigo vê-las como planta ornamental. Fecho os olhos para enxergá-las como a saudade viva, transparente na cor roxa e no perfume, exumando todas as dores e melancolia do coração.
Se o perfume tem o poder de nos fazer lembrar, a cor das violetas roxas tem a faculdade de me repatriar, transportando-me no tempo e no espaço às janelas da minha infância, onde minha mãe exibia seus pequenos vasos floridos. Quando ela se foi e nos deixou a tristeza de sua ausência, a primeira coisa que me veio à mente foi a estola do padre celebrante das missas que ela me obrigava a frequentar: de cor roxa. Minha preferência e afinidade com as violetas são tão grandes, que eu as apelidei de “a flor da saudade”.
Recordo-me criança junto aos pés de uma cristaleira antiga, onde sobre ela havia um vaso com violetas roxas e um rádio Telefunken transmitindo jogos de futebol. Minhas duas primeiras paixões. As flores me deixavam extasiado pela beleza e o futebol pelo Flamengo, cuja escalação sei de cor até hoje: Jurandir, Domingos e Newton, Biguá, Bria e Jaime, Jaci, Zizinho, Pirilo, Perácio e Vevé. São paixões imorredouras, inexplicáveis, criptografadas em nosso cérebro, que só podem ser entendidas se tivermos um aparelho que descreva as emoções (E de energia e Moção de movimento) e traduza códigos até agora indecifráveis.
As violetas, quando as surpreendo nas floriculturas ou em casas de amigos, quietinhas, miúdas, decorando os pequenos espaços não as enxergo com os olhos, mas com o coração. São perfeitas nos pequenos vasos colocados timidamente nos peitoris das janelas, seduzindo o olhar perseguidor de belas imagens. Só agora me dei conta do motivo da minha paixão por elas. Descobri que estão sempre ligadas às lendas em que o amor é o tema. Meu espírito romântico percebeu, com certeza.
Por isso, quando eu partir desta para outra vida, vou levar comigo um livro de Drumond, uma garrafa de meu vinho tinto preferido e um ramalhete de violetas roxas. Seria uma forma de agradar e convencer o tribunal celeste de que fui um sujeito razoavelmente bom. Sei que vai ser muito difícil convencê-los, mas se não der certo apelo para a chantagem sentimental, abro uma bandeira do Flamengo e grito eufórico: “-MEENGÔO!!! Duvido que a maioria deles não faça coro comigo.

Fernando Santiago ícone do Rádio de Ituiutaba em todos os tempos

Fernando Amorim de Paula (Fernando Santiago) foi um dos mais consagrados profissionais que trabalhou no Rádio de Ituiutaba, inicialmente na Rádio Platina AM, depois na Rádio Cancella AM e por último na Rádio Difusora AM. Tinha uma popularidade e carisma fora do comum, todo mundo o convidava para ser padrinho e paraninfo de casamento de seus filhos. Fernando Santiago nasceu na cidade de Valcerim-Aurora da Praia-Portugal, em 04/05/1926. Veio para o Brasil, para a cidade de Santos com dois anos de idade, aos dezoito anos mudou-se para Uberaba, viveu nessa cidade por dois anos e depois transferiu-se para Ituiutaba, em 1954, aonde viveu até morrer, em 10 de outubro de 1982. Foi um dos mais importantes radialistas de todos os tempos nesta cidade, um exemplo de homem, pessoa boa e generosa, um excelente profissional, recebia uma média de cem cartas por dia em seu programa, Nosso Sítio, apresentado na Rádio Platina.
Atividade profissional – Fernando Santiago iniciou no rádio muito cedo, trabalhou inicialmente na Rádio Guarujá de Santos, onde conquistou uma grande popularidade. Paralelo a atividade de radialista, por ter uma voz grave muito bonita, a convite do consagrado cantor, Antônio Santiago, de quem herdou o sobrenome “Santiago”, tornou-se também cantor e se apresentava nas noites santistas em boates e bares daquela cidade paulista.
A população que o acompanhava diariamente nas emissoras de rádio, especialmente, à residente na zona rural, por gostar muito dele, o presenteava com sacos de arroz, feijão, leitoas, porcos, frangos, lata de banha, ovos, doces, liguiça, carne de porco cortida na banha, e etc. Era uma verdadeira festa. O Fernandão sempre alegre era corintiano, entrava em parafuso, quando o seu time perdia, chegava até a correr lágrima em seus olhos, tal era a paixão pelo Timão. Fernando foi um dos mais queridos radialistas que passou pelo rádio de Ituiutaba e eu tive a honra de trabalhar com ele, como também com Cezar França, outro monstro sagrado do rádio ituiutabano.
Uma marca registrada do programa Nosso Sítio, do Santiago era a abertura, com a música de Nono e Nana, “Uma Casa de Caboclo”. Mas o ponto alto era a oração que ele fazia invocando Nossa Senhora Aparecida: “Senhora Aparecida, rainha e padroeira do Brasil protegei a nossa gente da cidade e do campo, especialmente às nossas criancinhas, oh! Santa Mãe querida”!.. Fernando Santiago será sempre lembrado pelo que foi e fez em favor do rádio Ituiutabano, mas também como um dos grandes apresentadores das exposições agropecuárias desta cidade, contribuindo decisivamente para o desenvolvimento de Ituiutaba. Ao extraordinário amigo e companheiro, Fernando Santiago, a minha homenagem onde quer que ele esteja.

 

 
Página inserida no livro, Eu e as emissoras de Rádio, do rádio-jornalista Hairton Dias.

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco” (79)

A expressão “amor sob vontade” diferencia o amor genuíno da “paixão
arrebatadora”. A paixão é doença, baseada no apego e na posição
passiva diante do objeto idealizado, o apaixonado perde a razão e a
capacidade de discernir, tudo acontece independente de sua VONTADE.
Por isso o único amor realmente possível é o amor sob vontade, que não
envolve paixão ou apego, é livre e libertador. A expressão ganhou
força com o ocultista Aleyster Crowley, nesse caso com certas
diferenças de conotação em relação à essa minha visão. (Ciberpajé)
*
Feminismo e masculinismo são apenas mais algumas das nomenclaturas
criadas para destilar o ódio ao outro. Esse ódio perverso que tem
acompanhado todos os “ismos”, do socialismo ao fascismo, do nazismo ao
capitalismo, do cristianismo ao maometanismo. Ele tem promovido cada
vez mais divisões, assassinatos, desigualdades e genocídios. Bandeiras
e fronteiras que não lograram nenhum êxito em suas pseudo-revoluções,
é só observarmos o caos de desigualdade e injustiças que viceja no
mundo, a devastação natural e os atos terroristas contumazes em nome
de ideologias ou dogmas. (Ciberpajé)
*
Assassinaram mais de 100 árvores em uma avenida de Goiânia para
criarem mais um corredor de ônibus. Escutei idiotas dizendo que é
culpa do transporte público que precisa desses “corredores”. Conversa
de imbecil, a culpa é sim do baixo investimento em transporte público
e da idealização do carro, o que o tornou um objeto de desejo e
símbolo máximo de status. Por conta disso a cada dia centenas de novos
carros entulham as ruas. Em Goiânia já temos mais de um milhão deles.
São eles que impedem o trânsito dos poucos ônibus que existem. Ao ver
a tal avenida nua, meu coração se partiu, um genocídio de centenas de
seres vivos, para uma solução paliativa que ajudará o fluxo de
veículos por alguns meses, até que novos milhares de carros – que
entram no trânsito da cidade mensalmente – façam tudo voltar a se
atravancar na lentidão das horas do rush. Deplorável.(Ciberpajé)
*
Arte é êxtase e loucura, é desespero e agonia, é pureza e serenidade,
é júbilo e gozo, é tirar do útero, fazer vibrar, chorar copiosamente,
gargalhar insanamente. Arte é tempestade, intensidade, volúpia e
morte! Arte é vida em ebulição. Entretenimento não é arte, para
entreter você deve dar o esperado, manter as pessoas na segurança de
seu útero, não abalar sua moral e valores formatados. (Ciberpajé)
*
Só depois de “assassinar simbolicamente meu pai” pude amá-lo
devidamente. Antes ele era um ser idealizado que só existia em minha
mente e projeções. Aos 10 anos de idade, ao ver essa imagem
esfacelar-se diante de mim, assassinei-a violentamente e
definitivamente em meu coração. Assim pude conhecer verdadeiramente
quem é o meu pai, em todas as suas complexidades e paradoxos, e pude
amá-lo incondicionalmente, pois o cosmos me deu um progenitor
incrível, um sábio e o melhor de todos os meus amigos. Eu te
reverencio Dimas Franco de Oliveira! Te amo sob vontade! (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela
UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e
professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nas áreas de arte e
tecnologia, performance e histórias em quadrinhos.

 

 

ciberpaje@gmail.com

OS TRÊS OLHARES

Outro dia numa conversa com um grande amigo, de repente ele me perguntou se eu conhecia a teoria dos Três Olhares. Diante da minha negativa, começou a explicar-me. Disse-me ele: antigamente quando ainda os veículos motorizados eram muito raros, as pessoas geralmente andavam a pé ou a cavalo e assim olhavam para todos os lados, davam conta de paisagens as mais diversas. Se distraíam com árvores, flores, pássaros e pessoas. O caminhar ou o cavalgar era um tônico para a alma, alimentava o espírito e com isso não se sabia o que era depressão. Não existia a tão falada “correria” de hoje. É o primeiro olhar.
Depois, com o fenômeno chamado êxodo rural na segunda metade do século XX, o Brasil viveu o crescimento das cidades e com isso os meios de transportes tiveram que se adaptar. Grandes cidades, grandes distâncias, portanto a necessidade de deslocamento rápido. Mudou-se a situação, e com a popularização do automóvel e ainda mais das motocicletas, o olhar, ao dirigir, passou a ter uma direção definida, pois não se pode distrair com nada, a atenção está sempre voltada para o caminho, para a estrada e se olha sempre para frente. Identificamos aí o segundo olhar.
Hoje, o desenvolvimento tecnológico, principalmente no que se refere à informática, é o que domina a mente e toma a maior parte do tempo ocioso da grande maioria da população, principalmente das gerações mais novas. Tanto que é comum registrarmos nas salas de espera dos aeroportos, um silencioso movimento, pois todos estão de cabeça baixa olhando distraidamente para as telinhas. Impressionante que esse fato ocorre igualmente nas salas de estar das residências, onde o frutífero diálogo familiar é substituído pelo insosso teclar eletrônico. Esse é o terceiro olhar de que fala o meu amigo. Três olhares que carecem ser nominados: o primeiro um olhar livre, o segundo um olhar bitolado e o terceiro um olhar dominado.
Bem, dentro desse contexto é de fundamental importância que sejamos prudentes em relação ao desenvolvimento tecnológico. O uso exagerado do aplicativo whatsApp, por exemplo, pode trazer sérios problemas. É sem dúvida uma tecnologia fantástica que, se bem usada, pode ser útil, divertida e inofensiva. Mas a questão é o mau uso e o vício de se tornar escravo do aparelho. Já se tem registro de suicídios atribuídos a veiculação nas redes sociais de imagens não autorizadas. Outra constatação é a facilidade dos serviços prestados ao crime por essas ferramentas.
Imagino que, a partir da perspectiva desses três olhares, podemos ampliar nossa visão e tentar identificar a distância que nos encontramos daqueles a quem deveríamos estar mais próximos. As exigências da vida atual não podem ser desculpa para não olharmos para o outro. A ocupação moderna não deve impedir-nos de ver a falta que estamos fazendo a alguém. As obrigações cotidianas não podem ser empecilhos para o encontro de nossos olhares.
Aliás, quem nos lembra disso é Tom Jobim na bela canção Pela Luz Dos Olhos Teus: “Quero a luz dos olhos meus/ Na luz dos olhos teus/ Sem mais la ra ra ra.”

 

 

José Moreira Filho
moreira@baciotti.com

Um dia de pai

Whisner Fraga é escritor.

 
A criança se agita na cadeira de rodas. Beethoven incomoda. O pai acarinha os cabelos da criança. Pelo menos eu imagino que seja o pai. A julgar pela brandura, pela paciência e pela dedicação, só pode ser o pai. Tento não olhar muito. O ambiente está atulhado de pessoas discretas e não quero me destoar delas. O maestro se esforça. Imagino que deve ter regido mais de cem vezes aquela sinfonia. Por isso está concentrado, mas distante. Não consegue mais se emocionar com os acordes.
A música vasculha nossa consciência e nos entregamos. De repente, experimento uma melancolia, uma pequena depressão. Lembro-me que minha filha não foi conosco e sinto saudade dela. O amor é uma ferida aberta na qual borrifam limão. Arrisco novamente uma espiada e o menino agora está no colo do pai. Pondero que não há nada mais enigmático do que a paternidade. Estamos impregnados de genes alheios. Somos muito pouco nós mesmos. Vivemos os outros dentro de nós.
Penso nos pais que morreram e isso aliado a um coro que canta “An die Freude” me deixa um pouco mais triste. Recordo-me de meu cunhado, que faleceu de Chagas. Só ele sabia preparar o leite do jeito que minha sobrinha gostava. Os pais têm esse dom da exclusividade. Os pais mortos são persuadidos a experimentar a santidade, porque não podem mais errar. Viro o rosto uma vez mais e a criança agora está calma, o que é estranho, pois a nona está chegando ao clímax.
De meu pai carrego a memória dos voos. Pirralho, eu o acompanhei de Ituiutaba a Barra do Garças. Se não me engano, porque a gente vai amalgamando invenções ao que aconteceu de fato. E a verdade passa a ter um toque de fantasia, de liberdade, embora não deixe de ser verdade.Era um avião pequeno, um teco-teco, e talvez passássemos alguns apuros, quem sabe? Fica o toque límpido dos rios, quando eu tentava alcançar a boca dos peixes com o anzol inexperiente. E nunca exumei um piau daquelas águas.
Pai é esse padecimento, esse paradoxo. Havia ainda as aprendizagens, quando eu montava o trator e desandava pelas escarpas da fazenda do patrão, sob os olhares vigilantes do velho. Naquela época já era velho. “Além do céu estrelado, mora um pai amado”, entoa o coro, em alemão. Mais um pouco e as palmas rebentarão. O público quer a sua hora. O pai ajeita o filho, sabe que terá de carregá-lo até o carro, mas não se preocupa. Teve uma noite esplêndida. Só espera que vivam para sempre, que saboreiem indefinidamente essa proximidade. Só espera que vivam para sempre, embora saiba que isso é impossível.

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco” (78)

Em um mundo cada vez mais complexo e hiperinformacional, mesmo diante de tantas provas dos múltiplos aspectos psicológicos, emocionais, sociais, afetivos, espirituais e orgânicos que envolvem a doença que afeta um indivíduo, a maioria esmagadora da classe médica segue impassível em seu dogmatismo técnico cientificista, tratando as pessoas como objetos, para não dizer lixo. Afoitos por atenderem dezenas por dia, para embolsarem o dinheiro das consultas e receitarem muitos remédios para receberem as propinas dos laboratórios farmacêuticos. Remédios de uso contínuo, que jamais curam, mas pretendem manter o doente como um zumbi, por anos a fio doando sua energia e dinheiro aos laboratórios e toda a máfia branca. Minha experiência pessoal com esses mafiosos é tenebrosa, sempre me deparo com figuras pedantes, preguiçosas, demonstrando enfado e prepotência. Estive em um deles dia desses, consulta de rotina de oftalmologia, tentei mudar pois o anterior demonstrou demasiada ganância ao tentar engambelar-me. Entrei no consultório do novo “doutor”, um moleque pedante, que nem ao menos perguntou o meu nome, já foi logo me mandando sentar-me na cadeira de exame ocular. Agiu de forma tecnicista, impessoal e seca, claramente enxergando em mim só mais alguns cifrões. Como quase todos fazem, foi EXTREMAMENTE rápido, risivelmente ríspido. Parece não existir mais nenhuma poesia nessa profissão, era um jovem ali, poderia ser um utópico, querendo melhorar o mundo, curar e ajudar pessoas, mas nada, era só mais um idiota AVIDA DOLARIS, querendo comprar uma mercedes de merda e uma fazenda para criar gado pra assassinar – a maioria dos médicos do centro-oeste são fazendeiros de fim de semana. Sai em silêncio, pensando em como esse mundo poderia ser diferente, triste pelos tantos pobres e doentes que sofrem e que poderiam ter sua miséria minimamente diminuída se fossem recebidos com um sorriso afetuoso nesses chamados consultórios, que mesmo com seus ares condicionados e sancas burguesas, são apenas currais de espera para o abate. Perpetram um assassínio mais cruel do que o do gado, pois é programado por eles para ser lento e gradativo. (Ciberpajé)
*
Abomino toda e qualquer forma de dogma, e minha sinceridade custa o ódio e repúdio de muitos. Sigo sereno diante de meus detratores, desejando-lhes paz de espírito e equilíbrio. Não odeio os dogmáticos, nem ninguém, respeito seu livre arbítrio, e exerço o meu ao demonstrar meu repúdio como indivíduo ao dogmatismo. Mas dentre todos os dogmas que já denunciei, de longe o que gerou mais detratores foi o do chamado “esporte”. Foram muitas mensagens de ódio contra mim, e todas de ordem pessoal, inclusive comparando o ato de praticar um esporte competitivo com o ato de desenhar, e dizendo que se “eu desenho, então também estou competindo”. A argumentação de tal estapafúrdia comparação é tão simplória e rasa que prefiro nem comentar. Os dogmas dividem, separam, geram ódio, produzem competição, preconceito, patriotismo, genocídio, energias vis, são a grande praga que possivelmente levará a humanidade à extinção. (Ciberpajé)
*
Tudo seguirá sem você, a saga humana insandecida segue independente de indivíduos, mas lembre-se de que uma mudança é possível, a rebeldia da auto-revolução! (Ciberpajé)
*
O problema de idealizar a PAZ é imaginá-la como algo perpétuo em um Universo claramente MUTANTE! (Ciberpajé)
*
A Lua ecoa o uivo do Lobo com explosões de luz prateada. (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG. Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nas áreas de arte e tecnologia, performance e histórias em quadrinhos. ciberpaje@gmail.com