Vencedor do 4º Concurso de Contos “Águas do Tijuco” de Ituiutaba e de Resende da Costa/MG

O 4º Concurso de Contos “Águas do Tijuco de Ituiutaba reconhecido nacionalmente, pela qualidade dos contistas participantes, da comissão julgadora e pela premiação paga ao vencedor, considerado um dos maiores prêmio literário do Brasil, teve como vencedor, o mineiro de Resende da Costa, Márcio André Oliveira Santos, com o conto “Coisas de minha avó”. Esse ano, na quarta edição, o concurso teve à participação de mais de quinhentos contistas escritos, numa disputa que deu muito trabalho a comissão julgadora para se chegar ao vencedor, devido à qualidade dos contos inscritos. Contos vindos de quase todos os estados brasileiros e do exterior, inclusive, de contistas de Ituiutaba.
Para o presidente da Fundação Cultural, advogado e professor Francisco Roberto Rangel, entre as várias atividades exercidas pela Fundação, destaca com muito brilho esse concurso, que segundo ele conta em média de participação de quinhentos contistas, em cada edição; contistas até do exterior, que tem levado realmente, o nome de Ituiutaba além fronteiras.
“Nessa oportunidade nós queremos agradecer a todos os parceiros, os responsáveis pelo sucesso desse concurso. Agradecer em especial ao prefeito, Luiz Pedro que é o grande incentivador da cultura aqui em Ituiutaba, ele não tem medido esforços no sentido de ajudar a nossa entidade, a realizar eventos com é esse concurso literário “Águas do Tijuco”, sucesso em todo país, destacou o presidente Rangel e aproveitou para cumprimentar o vencedor da quarta edição do concurso, Márcio André Oliveira Santos.
Segue abaixo a relação dos dez contos selecionados pela Comissão Julgadora, que fará parte do livro editado pela promotora, Fundação Cultural, porém, sem ordem de classificação, destacando apenas, o conto vencedor, “Coisas de minha avó”, que além da publicação, vai receber o prêmio de R$ 3.000,00 (três mil reais).
1º lugar: “Coisas de minha avó” – Márcio André Oliveira Santos – Resende da Costa – Minas Gerais
– Com as mãos vazias – Edileuza Bezerra de Lima Longo – São Paulo/SP
– A hóspede – Delmar Bertuol Alves da Silva – Matril Feliz/RS
– Córrego Sujo – Luiz Eduardo de Carvalho – Tatuapé/SP
– Rosário – Lilian Almeida de Oliveira Lima – Salvador/BA
– O Anjo e a Bola – Luiz Carlos Picinini – Sorocaba/SP
– Indulto – Tatiana Alves Soares Caldas – Rio de Janeiro/RJ
– Vestido de Estrelas – Aline Naomi Sassaki – São Paulo/SP
– Ecce Homo! – João Wilson Savino Carvalho – Macapá/AP
– Festa a São João na Vila de São Damião – Paulino Sales Abranches – Itajubá/MG

 
Saiba mais sobre Ituiutaba, acesse: www.portalituiutaba.com.br
(Ituiutaba, 4 de janeiro de 2016).

X Concurso Contos do Tijuco “VALNICE PEREIRA”

A L A M I
Academia de Letras, Artes e Música de Ituiutaba.
Entidade de utilidade publica municipal – lei 3896.
Ano de fundação 1.996.
alamiacademia@yahoo.com.br
www.alami.xpg.com.br

X Concurso Contos do Tijuco
“VALNICE PEREIRA”

A ALAMI e a Fundação Cultural de Ituiutaba agradecem a imensa participação dos escritores (440 contos inscritos) e garantimos que sempre faremos o máximo esforço para continuarmos merecendo essa confiança que depositam em nosso trabalho.

Agradecemos, também, aos sites que divulgam os nossos concursos, em especial ao escritor Rodrigo Domit (RJ) que dirige o site – http://concursos-literarios.blogspot.com.br/
Nossos agradecimentos a Comissão Julgadora que suaram a testa para
escolherem os contos premiados.

Resultado

Primeiro lugar – O urubu e o gavião
Autor – Luiz Fernando Lima Oliveira

Dados biográficos: O autor é pernambucano, do Recife, nascido em 22 de agosto de 1978. Formou-se em Direito pela UFPE e trabalha como advogado em Porto Alegre – RS, para onde se mudou em 2007. Participa de Oficinas Literárias, de contos e poesias. No âmbito das letras, foi agraciado com o prêmio SESC/DF 2015 de melhores crônicas (3º. Lugar) e classificado no 5º. Concurso de Micro contos de humor de Piracicaba/SP, edição 2015.

Nove selecionados – nomes do conto e autor –
Ordem alfabética:
A Casa dos espelhos
Autor: João Lisboa Cota – Ponte Nova – MG
A gaita
Autor: Whisner Fraga – Ituiutaba – MG
Amor de Comer
Autora: Ana Cristina Moital Martins Luiz – Lousa LRS/Portugal
Estenda tuas mãos em forma de concha
Autora: Giovanna Artigiani – Campinas – SP
Desconectados
Autor: Edweine Loureiro da Silva – Manaus – AM
Destroços
Autor: José Eugênio Borges de Almeida – Maragogi – AL.
Mosaico
Autor: Felipe Cattapan – Rio de Janeiro – RJ
Os dois lados de um mesmo erro
Autor: Gustavo Fontes Rodrigues – São Paulo – SP
Rota de Fuga
Autora: Tatiana Alves Soares Caldas – Rio de Janeiro – RJ

COMISSÃO JULGADORA DO X CONCURSO CONTOS DO TIJUCO

Arth Silva
Redator, ilustrador, publicitário, escritor, poeta, crítico literário,
Blog: www.sonhandoaderiva.blogspot.com.br
e-mail – fsarthur@yahoo.com.br

Sandra Modesto
Pós-graduada em Educação – FEIT/UEMG
Graduada em Letras- (Português/Inglês) – FEIT/UEMG
Coordenadora do projeto: Oficina literária para a terceira idade.
Escritora.
e-mail: modestosandralucia@gmail.com

Dr. Jarbas Wilson Avelar – advogado – professor – escritor – cronista do Jornal do Pontal
e-mail – jarbasavelar@yahoo.com.br

EDITAL DE INCINERAÇÃO DE DOCUMENTOS

EDITAL DE INCINERAÇÃO DE DOCUMENTOS
FUNDAÇÃO CULTURAL DE ITUIUTABA/FCI – N° 001/2015

O Ilmo Sr. Dr. Francisco Roberto Rangel, Presidente da Fundação Cultural de Ituiutaba, no uso de suas atribuições legais e constitucionais, especialmente escudado no art. 1.215 e parágrafos do Código de Processo Civil, para incineração de arquivos e processos referentes aos Concursos de Canto de Ituiutaba, dos exercícios 2003 e 2004. Considerando, a impossibilidade de microfilmagem, digitalização ou outro processo congênere, não obstante inexistir atualmente espaço para guarda de novos documentos, faz saber a todos os interessados ou que do presente edital tomarem conhecimento, que no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data de sua publicação, serão INCINERADOS. Ressalta-se, que no prazo de publicação do presente edital, será facultado a eventual interessado o desentramento, às suas expensas, ou a microfilmagem total ou parcial dos arquivos. Eventual documento de valor histórico deverá ser recolhido ao arquivo da Galeria de Antiguidades, por servidor especialmente designado para esse fim. Finalmente, para que não seja posteriormente alegado o desconhecimento ou ignorância do teor do presente edital, determino a fixação de cópias do mesmo nos locais de costume da Fundação Cultural de Ituiutaba, bem como publicação em órgão de imprensa on-line, de forma a assegurar a mais ampla publicidade. Dado e passado na comarca de Ituiutaba-MG, na sede da Fundação Cultural de Ituiutaba, aos 11 dias do mês de dezembro de 2015.

Dr. Francisco Roberto Rangel
Presidente da Fundação Cultural de Ituiutaba

FUNDAÇÃO CULTURAL DE ITUIUTABA CONCURSO DE CONTOS ÁGUAS DO TIJUCO

FUNDAÇÃO CULTURAL DE ITUIUTABA
CONCURSO DE CONTOS ÁGUAS DO TIJUCO

O Presidente da Fundação Cultural de Ituiutaba – FCI, no uso de suas atribuições legais, COMUNICA aos candidatos do CONCURSO DE CONTOS ÁGUAS DO TIJUCO, seu sobrestamento e dá outras providências:

DOS MOTIVOS
Em Face, da greve dos servidores administrativos da FACIP/UFU, campus do Pontal, e IFTM – Instituto Federal do Triângulo Mineiro, que impede a indicação de docentes das Instituições para análise e julgamento dos trabalhos inscritos;
Fica estabelecida a retomada das fases de leitura, análise e julgamento dos contos, tão logo sejam retomadas as atividades das Instituições citadas com a conseqüente indicação dos jurados avaliadores e, ao final, a comunicação do conto vencedor.

 

Ituiutaba, 21 de Setembro de 2015.

 

Francisco Roberto Rangel
Fundação Cultural de Ituiutaba

Olimpíadas sonho dourado que nos levou a idealizar a criação dos Jogos estudantis de Ituiutaba

A chegada da tocha Olímpica nesta terça-feira, 3, no Brasil, na capital federal “Brasília” provocou em mim algo inexplicável, uma emoção fortíssima invadiu minh’alma, pois fiz uma regressão no tempo, voltei a cidade de Passos no Sul de Minas, quando como atleta, eu e mais alguns jovens desta cidade tínhamos a responsabilidade de representar essa querida terra de São José do Tijuco, éramos uma delegação pequena, mais grande na vontade de participar e representar bem a nossa cidade, mesmo que ela não tenha nos dado o passaporte oficial dessa representação. Éramos quase uma delegação anônima, mais de corpo e alma presente, naqueles jogos mineiros, que reunia delegações de quase todo estado. Naquele ano 1971, além de participar de forma vibrante daqueles jogos, ao lado de outros extraordinários atletas, nascia em minh’alma um sonho dourado, criar uma competição que nos levasse um dia a imaginar que as Olimpíadas Modernas, criadas pelo francês Márquez de Coubertin, pudessem nos inspirar, após a participação naqueles jogos de Passos, idealizar um dia, a criação dos Jogos Estudantis de Ituiutaba.
Realmente um filme passou em minha mente, pois em 7 de setembro de 1976, a exemplo do que já tinha acontecido em Montreal no Canadá, para orgulho da juventude estudantil desta cidade nasciam os Jogos Estudantis de Ituiutaba. Quarenta anos depois, as Olimpíadas que nos inspiraram tanto estão acontecendo em nosso país. E quando o símbolo maior dessa competição que reúne atletas do mundo inteiro está chegando ao Brasil, senti uma emoção que me fez encher os olhos de lágrimas, quando vi a nossa atleta Fabiana campeã olímpica de vôlei receber a tocha olímpica e ser a primeira atleta brasileira a ter a honra de conduzir a tocha. Então, lembrei-me do atleta Gaspar (Pé de Vento), campeão da corrida dos 10 mil metros, dos Jogos Estudantis, percorrendo trecho da Avenida 9, para acender a Pira Olímpica, colocada estrategicamente na Praça da Prefeitura, aonde os Jogos foram abertos em 7 de setembro de 1976.
Mas as minhas emoções continuaram a mexer cada vez mais com o meu coração que batia forte no peito, de acordo com a deslocar da tocha pelas ruas de Brasília, numa prova que o esporte pode mudar os rumos e a forma dos povos pensarem e agirem, em nome da paz, vi uma refugiada da guerra da Síria no Brasil, de apenas 12 anos de idade, Hanan Calede, como que clamando aos ” Deuses do Olimpo” e ao mundo inteiro, pela paz em seu país, conduzir a tocha olímpica. Esse ato foi para mostrar ao mundo que no esporte não existe lugar para a violência, o ódio, a guerra, a intolerância que tanto mal tem causado aos povos do mundo inteiro. O esporte é capaz de unir os povos de todo mundo, competindo de igual para igual, só vencendo aqueles que forem os melhores, além dos seus oponentes, os seus próprios limites.
Assim pensando e muito emocionado com a chegada da Tocha Olímpica e realização das Olimpíadas no Brasil, ao completar 40 anos de realização dos Jogos Estudantis, no dia 7 de setembro de 2016, espero que as nossas autoridades brasileiras dêem prioridade a educação e a cultura, e como fator de aprimoramento físico e mental de nossa juventude, que estimule em todos as faixas etárias, a partir dos 7 anos de idade, a prática sadia do esporte, especialmente nos Jogos Estudantis, para quê, quem sabe, em um amanhã não muito distante, tenhamos um atleta desta cidade brilhando nas futuras Olimpíadas e sendo destaque no mundo inteiro. Esse é meu sonho!

 

 

Hairton Dias
Criador dos Jogos Estudantis de Ituiutaba

Os brilhantes olhos de dona Rita Helena

A beleza dos olhos de dona Rita Helena é coisa Divina – azuis como um céu sem nuvens, brilhante como diamantes lapidados. E não era para estar tão belos assim, já que ela estava padecendo de dores agudas nos joelhos provocados pela artrose e pelas dilatadas veias das pernas por causa das varizes. Mesmo assim ela não deixava ninguém ali por perto, seus vizinhos e amigos, preocupados, buscando deixar todos felizes dizendo que estava melhorando.

Mesmo nos seus piores dias, com seus olhos sempre brilhantes e, agora, às vezes lacrimejantes, dizia que estava melhorando, que os joelhos estavam menos inchados. Mas, todos percebiam que isso não parecia a verdade, pois, ela se apresentava mais magra e com as pernas mais grossas. Infelizmente, pela lógica natural da vida, se torna muito difícil contornar a decadência do corpo humano. Quando se chega a certa idade em que o organismo passa a não responder aos tratamentos convencionais as perspectivas de cura são um tanto remotas.

Acontece que, para a lógica natural da vida, tem coisas, como a Fé, que podem contrariar essa mesma lógica. E, nesse caso, o que estava certo mesmo eram os brilhantes e belos olhos azuis da dona Rita Helena. Ela dizia que estava melhorando e estava mesmo. Com a sua Fé, força de vontade de sarar e, também, na sua insistente intenção em agradar os amigos, melhorou de vez das suas doenças.

Ainda temos muito que aprender na leitura do brilho nos olhos das outras pessoas.

Enio Ferreira – ALAMI

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco” (115)

Minha arte não é indígena, minha arte não é negra, nem branca,
amarela, judia, ou azul. Minha arte não é goiana, nem mineira, nem ao
menos brasileira. Minha arte não é masculina, não é feminina, nem
andrógina. Minha arte não é marxista, não é capitalista, nem
anarquista. Minha arte não é cristã, nem hinduísta, budista, satanista
ou vegana. Minha arte não é latino americana, não é ocidental, não é
tradicional, ou contemporânea. Minha arte não atende a interesses
dogmáticos de nenhuma ordem. Não estou certo do que minha arte seja,
mas creio que ela seja Cósmica, por isso mutante e dinâmica enquanto
eu estiver vivo criando-a. (Ciberpajé)
*
Mais de 60 mil homicídios ao ano, o nosso país já não é mais o do
“futebol e do carnaval”, é o do “assassinato e da corrupção”, somos os
primeiros do MUNDO nesses quesitos. Vivemos a maior guerra civil não
declarada do planeta, mas continuamos nos importando mais em tomar
partido e fazer passeatas e pseudo-revoluções pacíficas para a troca
inócua dos velhos abutres de sempre no poder, dois lados da mesma e
pérfida moeda coordenando turbas de robôs subjugados e manipulados.
(Ciberpajé)
*
Parei alguns minutos em frente à TV hoje. Vi um homem diante de
milhares de pessoas falando como se estivesse em um rodeio e
perguntando se o povo já tinha visto acontecerem milagres assim na
frente deles, milagres bíblicos! Enquanto isso umas mulheres com
exames médicos em mãos diziam que foram curadas. A mentalidade dessas
turbas idolatras é medieval, são milhões de pessoas cultuando um
idiota que sabe algumas técnicas básicas de oratória e retórica,
tratando-o como um semi-deus todo poderoso. E o mais lastimável é
zapear os canais e ver toda a TV aberta infestada desses “profetas”. É
impressionante a capacidade que esses “abutres humanos” têm de seduzir
as massas. São homens tão rasos, incultos, brutos e imbecis até, mas
apenas com um discurso pronto e básico de programação neurolinguística
conseguem ludibriar, robotizar e surrupiar milhões de “fiéis”.
Obviamente, são homens que abraçaram a maldade, a ganância e o desejo
de poder. Nenhum verdadeiro sábio ludibria, enriquece-se às custas da
fé alheia, ou se coloca como santo milagreiro. (Ciberpajé)
*
Os chamados “avanços tecnológicos” da espécie humana têm sido usados
majoritariamente para escravizar e submeter os outros animais e os
vegetais. Lastimável opção, pois deveríamos utilizar tais “avanços”
para integrarmo-nos e harmonizarmo-nos com a natureza e as espécies
que coabitam o planeta. Se continuarmos agindo assim, estamos cavando
a cova profunda de nossa espécie moribunda. (Ciberpajé)
*
A felicidade do parasita é a sobrevida do hospedeiro. É impossível
parasitar um morto. (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela
UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e
professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nacionalmente nas áreas de
arte e tecnologia e histórias em quadrinhos. ciberpaje@gmail.com

Xô solidão

Parece impossível pensar que com quase 7 bilhões e meio de pessoas no mundo, alguém pode sentir solidão. Mas a verdade é que o número de pessoas afetadas por esse mal só tende a aumentar a cada dia. Porém é preciso separar o joio do trigo. Uma coisa é solidão e outra bem diferente é solitude. A primeira seria o joio. A erva daninha, imprestável, que mina a planta boa e traz preocupação ao agricultor. A segunda seria o trigo que produz o alimento universal, o pão nosso de cada dia. Solidão é aquele sentimento ruim, sensação desconfortante de estar só. Talvez seja até mais do que o desejo de se ter uma companhia. Parece faltar algo que não se sabe o quê. Mas com certeza não é estar desacompanhado, pois pode ser sentida com pessoas ao redor ou numa multidão. Por outro lado, solitude é também estar sozinho, mas por opção, conscientemente. E esse estado em que a pessoa se coloca pode ser muito benéfico, pois assim pode se encontrar, pode se conhecer melhor. Aliás essa é uma recomendação muito antiga. Lembra-nos o “conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo” da mitologia grega que explicita a importância da introspecção.
Estar sozinho por escolha, com objetivo predeterminado é a capacidade pessoal adquirida no decorrer da vida, de estar consigo mesmo. De gostar de sua própria companhia. A falta dessa faculdade pode significar autodesprezo, princípio do caminho angustiante para depressão. Há correntes psicológicas explicando que não se pode amar ninguém verdadeiramente se você não se ama. A falta da capacidade de se gostar pode impedir o gostar do outro. Se você se amar você espanta a solidão. Goste de você e você não terá solidão. Sua companhia deve lhe ser agradável. Experimente se admirar, e o ficar só vai lhe fazer bem. A dificuldade está na nossa cultura ocidental que nos ensinou relacionar solicitude à tristeza. Estar só, quieto, pode então significar tristeza, mas do oriente nos vem a meditação que é uma postura de relaxamento e que proporciona maior consciência do seu corpo, ajudando-o a compreender algum desequilíbrio orgânico, chamado comumente de doença. É possível nesse estado até entender que o sofrimento é subjetivo, é opcional. Posso escolher não sofrer. Antes de ficar lamentando uma decepção, uma saudade, uma perda, posso construir outros caminhos a partir da minha sabedoria, do pensamento positivo e mesmo racional, e principalmente dos recursos que minha religião, através da fé, pode me oferecer.
Solitude é escolher um momento, é encontrar tempo para se estar consigo mesmo, não quer dizer isolamento ou falta de sociabilização. Pelo contrário, se você está feliz com você mesmo, pode irradiar essa felicidade para os outros. Seus encontros com as pessoas podem ser mais fecundos e produtivos. Além disso, a solitude pode lhe proporcionar a capacidade de entender que a felicidade é possível, mas é opcional. Que na vida, sucesso se alterna com adversidade. Que simplicidade com eficiência não quer dizer pobreza, nem avareza, mas sim decência. E principalmente vai compreender o que realmente conta nessa vida, pois o que se leva dela é como a levou. E mais, se a vida é muito curta como dizem, cabe às nossas ações torna-la grandiosa.

 
José Moreira Filho
moreira@baciotti.com

Duas séries

Whisner Fraga é escritor
A natureza dos relacionamentos humanos é essencialmente baseada em estruturas de poder, algumas consolidadas e outras em construção. Isso não é, aliás, exclusividade da espécie humana, mas não entrarei nesses meandros para não me alongar nessa discussão. Assim, o que ocorre hoje na política brasileira é somente um exemplo ou uma aplicação prática um pouco mais ampla e divulgada do que acontece num contexto menor na sociedade.
Traduzindo: essas intrigas, as trocas, os conchavos, as fofocas, as compras de votos, as traições, os vazamentos, permeiam toda a extensa fauna de conexões que construímos do nascimento à morte. Esses joguinhos quase intelectuais fazem a alegria de qualquer coletividade, desde a infância. Não existissem não seriam erigidas tantas filosofias e religiões e poderíamos focar na busca da felicidade e outros acasos.
Então, nesse contexto, eu tiver de manter o equilíbrio e parar de ler jornais e de acompanhar as notícias em geral sobre nosso país. Uma decisão razoável, embora tenha de lidar com a natural curiosidade sobre o que acontece no senado. Aí fui para o Netflix. Mais especificamente ao encontro de Houseofcards e de Orange isthe new black. Evidentemente para continuar com um pé na realidade.
Comparam o deputado de Houseofcards, Frank Underwood com o nosso Eduardo Cunha. Acho que foi a analogia mais comentada por aí. Não sei se é o caso. Underwood, sem dúvida, é muito mais carismático e os arranjos que ele tem de fazer bem mais complexos. A proximidade entre a mídia e a política é bem retratada na série, a menos de alguns eventuais exageros, que no frigir dos ovos fazem parte da ficção.
Orange isthe new black é mais ousada, mais inventiva. Não se prende a convenções. Quero dizer que bobagens que fazem os telespectadores das novelas brasileiras corarem não servem nem de introdução ao assunto por lá. Gosto dessa abordagem com toques surreais. Como em Houseofcards, há várias inovações narrativas.O trio clichê sexo-poder-grana marca presença o tempo todo em ambos os casos, mas não atrapalham o roteiro.
Acho que muitos brasileiros ainda não podem abandonar a TV aberta, infelizmente. E mesmo se pudessem, acho que sintonizariam as novelas em seus respectivos horários, normalmente. Uma questão cultural. Os mesmos telejornais de sempre, herdados dos avós. De minha parte, sempre recomendo a todos um passo além. É saudável. Amanhã retomo as leituras dos cadernos políticos. Mais leve, mais crítico ainda.

Professora Ester Majadas “Patrimônio histórico de Ituiutaba”

Ituiutaba e região perdem filha ilustre… Fato inusitado pela importância, pelas homenagens recebidas, pela gratidão tão elucidada de forma evidente. Partiu, porém continuará viva na lembrança, nos corações de uma plêiade que desfrutou de seus sábios ensinamentos e de sua companhia… Dona Ester fez da vida um ministério, um apostolado, tendo como base o amor e a educação. Foi a enviada do Pai para essa sublime missão, de educar, aprimorar, lapidar caracteres e mostrar caminhos… Sua competência no desempenho de seu mister, transmitindo conteúdos básicos, necessários e de uso permanente, sempre foi notório. Uma trajetória belíssima de vitórias e grandes realizações, através do sucesso daqueles agraciados, com a formação adquirida… Atingiu o ápice de um profissionalismo brilhante alicerçado e acumulado em conteúdos qualificados, humanos, e imprescindíveis. Seu mérito ultrapassou fronteiras, regiões e estados… Embora fosse uma pessoa simples, serena, seu porte sempre foi altivo, majestoso e nobre. Sem dúvida alguma, um “Patrimônio Histórico” que Ituiutaba cultuou e a sociedade admira, reverencia e aplaude. Detentora de conhecimentos, em especial o didático pedagógico inovador que extrapolava a normalidade e a modernidade tecnológica. Buscou sempre a atualização, inclusive com seu desempenho e participação na Escola “Ápice”. Respeitabilíssima pela classe, que a considerou um modelo e um exemplo de responsabilidade profissional, organização, discernimento. Um ser humano que entra para a história, pelas virtudes, pelo desempenho, pelo papel relevante em prol do progresso e crescimento dessa metrópole que ajudou a construir e destacar; e pelas várias gerações que educou. Esteve sempre inserida nos trabalhos sociais, Ituiutaba muito lhe deve… O bem que proporcionou aos educandos, hoje pessoas ilustres… A Ituiutaba e região, que saiu do ostracismo. Ao Lar da Criança que coordenava ao lado de Marluce e Márcia, cujos frutos são reluzentes. Á Sociedade em sua totalidade é sem dúvida o Tributo que a imortalizará para sempre… Minha mestra querida, responsável pela base que norteou minha vida; minha colega de profissão e minha orientadora no “Marden”; minha grande e sincera amiga… A homenagem singela, as saudades e os agradecimentos se estendem à Fundação Cultural de Ituiutaba, na pessoa de seu Presidente Dr. Francisco Roberto Rangel; da Academia de Letras Artes de Ituiutaba, ALAMI, da qual era Comendadora, na pessoa de seu Presidente Enio Eustáquio Ferreira e em nome também de toda uma população da qual é credora… O descanso e a paz merecidos a essa guerreia, que nasceu para educar, comandar dirigir e guiar… Nosso abraço carinhoso aos familiares .

. Adelaide Pajuaba Nehme – Acadêmica da ALAMI

Conselho Curador da Fundação Cultural de reuniu-se ordinariamente

Aconteceu na última quarta-feira, 27, mais uma reunião ordinária do Conselho Curador da Fundação Cultural, sob a direção de Ênio Eustáquio Ferreira e que contou ainda com a presença do presidente da entidade, professor Francisco Roberto Rangel e a maioria dos conselheiros.

Na oportunidade o presidente agradeceu a presença dos conselheiros presentes e reafirmou a sua satisfação de estar presidindo esse Conselho Curador da Fundação.

Em atendimento a solicitação do conselheiro Maurício Ferreira foi constado em ata, um voto de pesar, pelo passamento trágico da educadora Ester Majadas, que por mais de 70 anos deu sua contribuição em favor do desenvolvimento educacional desta cidade, seja como professora, como diretora do Instituto Marden ou como grande bem feitora no campo social, sendo uma das responsáveis pela construção do Lar das Crianças, no Bairro Ipiranga, onde atuou como diretora desde sua inauguração.

Em seguida passou a palavra ao presidente, professor Francisco Roberto Rangel que por sua vez, agradeceu e cumprimentou a todos os conselheiros presentes. Lamentou também o passamento trágico da educadora Ester Majadas enaltecendo sua obra em favor da educação e da cultura nesta cidade. Na oportunidade enumerou para os conselheiros o relatório de atividades que estão sendo realizadas no sentido de promover e movimentar a cultura na cidade, dentre os quais destacou:

– Confecção de dois paineis que enaltecem as manifestações culturais e indígenas em exposição na Galeria de antiguidades;

– Confecção de carteirinhas de identificação para os integrantes das companhias de Folia de Reis desta cidade;

– Total apoio e parceria na realização do encontro de Folias de Reis promovido pela Companhia de Folia de Reis Estrela do Oriente;

– Parceria e apoio na organização do XXIX Encontro Regional dos Ternos de Congada, Moçambique, Marujos e Catupés, a se realizar dia 15/05, (aguardando repasse);

– Implantação do Portal Transparência;

– Pagamento do prêmio de R$ 3.000,00 para o ganhador do 4º Concurso de Contos “Águas do Tijuco de Ituiutaba;

– Secção de professor para ministrar curso sobre Patrimônio Arqueológico em Uberlândia, promovido pela AMVAP;

– Aquisição de dez Step para oficinas (aulas) de Zumba, no Espaço Cultural Benedito Santana, dentre outras realizações;

– Confecção de álbum com resumo histórico que conta a contribuição dos Agentes Executivos e Prefeitos de Ituiutaba, para o desenvolvimento de Ituiutaba, a partir de sua emancipação social e política, ocorrida em 1902 até os dias de hoje, 2016. Esses álbuns estão expostos na Galeria de Antiguidades e no MUSAI.

Não havendo nada mais a tratar o presidente Ênio encerrou a reunião, e marcou uma próxima para a última quarta-feira, do mês de maio de 2016.

Saiba mais sobre Ituiutaba, acesse: www.portalituiutaba.com.br

(Ituiutaba, 29 de abril de 2016).

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco” (114)

 

Por mais que você não queira, que a egolatria dessa era tenha lhe
feito esquecer, você é parte da natureza, você é parte de um dos
órgãos do organismo Gaia, um órgão chamado “espécie humana”.
Infelizmente esse órgão sofre de um câncer em acelerada metástase,
pois bilhões de “células individuais egocêntricas” esqueceram-se de
que são parte dele e de seu organismo maior. Não se lembram mais de
que suas vidas dependem da sua intensa sinergia e conexão com os
outros, passaram a odiar-se e defender interesses de grupelhos ou
apenas familiares, considerando todo o resto como inimigos . Ao
desconectarem-se de suas células irmãs, muitos podem crescer como
tumores, e aparentemente estarem ganhando a batalha pela vida, mas
estão acelerando a falência do órgão. E esse “câncer humano” invadiu
outros órgãos da biosfera, metastasiou-se destruindo milhares de
espécies vegetais e animais. Algumas metástases de baixa frequência
acreditam que seu crescimento descomunal e maldito destruirá a
majestosa Gaia. Ledo engano, a espécie humana é o “apêndice” gaiano,
apenas isso, e pelo andar da carruagem tornar-se-á apenas poeira
esquecida nas eras infinitas do planeta azul. (Ciberpajé)
*
Os times dos políticos mais corruptos do planeta já têm suas torcidas
organizadas formadas por milhões de “torcedores”. É exatamente como no
futebol, em que os ídolos ganham milhões em contratos de marketing
publicitário e podem mudar de time a qualquer hora, pouco se lixando
para seus “torcedores”, enquanto isso as turbas imbecilizadas se
digladiam por suas bandeiras e cores e matam sem piedade os fanáticos
pelo time adversário. Por conta dessas torcidas organizadas já temos
até muro de contenção de ódio na esplanada dos ministérios. Que
comecem os jogos! Até a sordidez política virou pão e circo para as
turbas iludidas. (Ciberpajé)
*
Pobres inocentes, acreditam que política tenha algo haver com
democracia. Política e democracia são coisas antagônicas, política é o
puro e simples jogo de poder, é sordido, é cruel, é violento e sem
perdão a nada nem ninguém. A política usa a democracia como discurso
para servir seus interesses e pode abdicar dela quando quiser. E os
políticos agem hoje globalmente sob o jugo das hipercorporações
multinacionais, movidas pelo lucro que atropelará sem nenhuma piedade
qualquer pseudo-democracia que minimamente os incomode. (Ciberpajé)
*
Foi sancionada a lei que libera produção e venda da “pílula do
câncer”. A substância fosfoetanolamina foi sintetizada no Instituto de
Química da USP por uma equipe de cientistas coordenada pelo professor
Gilberto Chierice. Chierice sofre processo e pode pegar 4 anos de
cadeia por ter distribuído o medicamento sem o aval da Anvisa. Apesar
do ataque cruel e intenso da máfia de branco e de seus comandantes da
indústria farmacêutica, muitos pacientes que utilizaram a
fosforiletanolamina apresentaram significativas melhoras. Mesmo se ela
for um placebo – o que parece não ser o caso – significa esperança e
uma insurgência contra essa poderosa e violenta indústria do câncer.
Lucrativa iniciativa de grandes conglomerados baseada em dispendiosas
quimioterapias e radioterapias e suas dezenas de efeitos colaterais
que resultam na prescrição de dezenas de medicamentos para a
manutenção sofrida da sobrevida de muitos pacientes em estado
deplorável, mas que continuam alimentando as hipercorporações
farmacêuticas globais, que não têm o mínimo interesse na cura de
doenças e sim em sua manutenção visando lucro. Assisti com muito
sofrimento a decadência física e psicológica de duas pessoas próximas
engolidas por essa indústria e chancelada por seus asseclas de branco,
escórias humanas também movidas pelo dinheiro. Faço votos que os
pesquisadores que sintetizaram a fosfoetanolamina sejam firmes e não
se rendam às ofertas sedutoras de milhões que em breve serão feitas
para engavetarem suas pesquisas assumindo-as como inócuas. (Ciberpajé)
*
O veneno da língua afiada tem como antídoto a proximidade do nada. (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela
UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e
professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nacionalmente nas áreas de
arte e tecnologia e histórias em quadrinhos. ciberpaje@gmail.com

O início

 

Whisner Fraga é escritor.

Helena corre pelo corredor escuro e tropeça na madrugada. Os rojões, impiedosos, festejam a incoerência e o perigo, como numa final de copa do mundo. Vuvuzelas mal-educadas alardeiam a incivilidade perto da meia-noite. As gatas assustadas arrastam a barriga pela sala, as orelhas empinadas, os olhos focando o medo. Muita gente comemora a revanche de um 7 x 1 jamais cicatrizado, sem compreender que são vítimas da desforra e que continuarão a goleada.
Meia-noite e pensam que o dia seguinte lhes pertence, aos sábios investidores, empresários, gerentes, que carregam este pobre país nas costas. Imaginam o sol resplandecente furando o cerco da poluição, um mormaço que lhes presenteará com o suor dos corajosos. Andarão pelos becos de cabeças erguidas e não enxergarão os pedintes que não têm direito à benção do pão. Se os visse, talvez fosse pior: veriam apenas o preconceito e a intolerância.
Sim, é verdade, falam em intolerância, embora a provoquem insensatamente à luz das câmeras. O bispo, o político, o delator, o magistrado, o vice, todos condenam a intolerância enquanto se preparam para o melhor ângulo diante da emissora de tevê. E falarão com a voz do povo. De qual povo? Não importa. Importa que essa voz ecoe em suas crenças e que possam manipular a opinião alheia. Ah, que prazer em manipular!
Acudimos Helena e todos sabem que à meia-noite as crianças dormem, mas o berram por uma boa causa. Os carros buzinam, embora sejam razoavelmente poucos à rua. Temo que aquilo se arraste por mais tempo e que as famílias resolvam tirar seus dois ou três veículos da garagem, pelo prazer de buzinar livremente pelas avenidas em um dia tenebroso. Helena pede que lhe tampem os ouvidos, há muita realidade se imiscuindo em seu sonho e ela quer continuar o sonho, pois há muito ainda para sonhar.
Era domingo e os canais decidiram cancelar os horrores costumeiros das tardes dos finais de semana para intimidar o país. São justos, ponderam daqui. Imparciais, forçam dali. Tudo porque sabem que os fins podem justificar os meios e que o povo aplaudirá essa tática, porque tudo está muito ruim, embora ninguém comente como se chegou a tal situação. As pesquisas mostram, os fins sempre justificaram os meios.
Uma trégua e o silêncio provoca nossa angústia. Acabou?, Helena pergunta. Acabou?, repete, trêmula. Não, Helena, ainda virá mais. Não, Helena, eles pensam que acabou, mas acho que tudo está só começando.

Os Flintstone

Saavedra Fontes

O norte americano tem o dom de criar fantasias incríveis no cinema e o desenho animado de Willian Hanna e Joseph Barbera é uma delas. Há mais de cinquenta anos o casal Fred e Wilma e seus amigos Barney e Beth vêm divertindo o público de todas as idades, com suas aventuras em Bedrock na era da pedra. Dino, o dinossauro de estimação dá o tom cômico e doméstico na vida do casal. Tivéssemos aqui no Brasil gênios iguais a esses para criar personagens semelhantes já os teríamos em profusão, porque modelos é que não faltam.
Fico imaginando Brasília nesse clima de “impeachment” nas mãos de Hanna e Barbera e de um estúdio cinematográfico competente. Ingredientes não faltam. Brasília seria a cidade de Bedrock. Políticos estariam correndo por entre os corredores de pedra maciça empunhando clavas e gritando impropérios, na luta pelo seu voto ou na defesa de sua inocência. Esse recebeu de propina milhões de lascas em negociatas fraudulentas, porque o mundo é o mesmo, só a era é que da pedra. Um baixinho barbudo e empinado com cara de cachaceiro, passa gritando entre os seus correligionários: -“habba-dabba-doo!”
Do lado de fora dos prédios onde rolam soltas as discussões, dois enormes bispotes, um de boca pra baixo e outro virado para cima. Grandes dinossauros esticam uma faixa de incitamento, sob as ordens Stealthy (*), rodeado de comparsas armados e ameaçadores. No momento a insatisfação com o governo de Bedrock era muito grande e facções se digladiavam para substituir o governo. Havia os que gritavam e os fala-macio, os fala-besteiras e exibicionistas de todos os tipos. Difícil é encontrar bom senso entre homens pré-históricos.
No palácio um casal discutia planos políticos para salvar o governo de derrota iminente. Arrogante, ele dava as ordens que ela, arrogante e meio, não cumpria. Acusavam-se mutuamente. Ela, afirmava haver descoberto a fórmula ideal para recuperar a economia de Bedrock, com a estocagem de vento, energia de baixo custo que poderia ser vendida para outras regiões. Ele a chamava de burra e fazia gestos ameaçadores à sua integridade física. – Onde fui amarrar minha égua? Ele se queixava”. Por fim, não conseguindo se entenderem, ela empina o queixo, levanta as narinas e o abandona falando sozinho. Ele ainda corre atrás gritando:
– DILMA!
E sua voz rouca e histérica percorreu todos os monumentos do planalto central, naturais e artificiais, despertando o tamanduá no cerrado e o veado campineiro, que alheios às ambições dos homens preferiam a proximidade dos cupinzeiros e da grama verde e fresca. De passagem, quatro turistas norte-americanos, Fred e Wilma, Barney e Beth, chegaram a comentar o atraso intelectual da dupla de baderneiros.