Convite

A conduta nossa de cada dia

É triste observar como o homem tem regredido em sua convivência na sociedade. Fatos e mais fatos todos os dias vem nos provar isso. Basta olharmos para o trânsito das grandes e médias cidades, para essa constatação. Agressões verbais de todos os quilates e físicas com danos materiais e pessoais são registradas com enorme frequência todos os dias. O pseudoconforto criado pelo homem pós-moderno se transforma em odiosa convivência pela disputa de espaço, de posição, de bens, de poder e de status. É verdade que avanços em muitos sentidos têm acontecido. Eletronicamente a sociedade tem se enriquecido, a facilidade para a realização de tarefas cotidianas e domésticas é um fato. É a era digital, tudo se aciona através de toques. Por outro lado, constatamos que nessa sociedade que podemos chamar de hipermoderna, o culto ao novo, à novidade, é patente. Os bens materiais, além de supervalorizados, não são mais duráveis, têm obsolescência programada, pois o mercado vive disso e a sociedade alimenta essa ganância com o consumismo desenfreado.

Em contrapartida, vemos uma substituição danosa nesse convívio humano, pois as necessidades básicas e verdadeiras estão dando lugar às aparências, pois já nem é mais preciso ter, mas basta parecer ter. O luxo egoísta suplanta a conduta altruísta. Os indivíduos já não se identificam por valores reais como honestidade, sensatez, solidariedade, mas por valores frívolos, como o carro do ano, a casa maravilhosa, o poder político etc. Suas necessidades fundamentais não são ditadas pela razão, mas pelos significados de sua cultura. Eu preciso aparecer na sociedade como ela exige que eu apareça. Daí o consumir cada vez maior. Paradoxalmente, diante da coletividade o indivíduo busca produtos que o identificam com o todo e não que atendam suas reais necessidades. Sua aparência diante do coletivo é mais importante que sua satisfação pessoal. Não adquiro o que preciso, mas o que quero. E esse querer é efêmero, pois muda a cada produto novo que o mercado oferece.
É preciso que examinemos nossas condutas a cada dia. Testar nossa coerência com nossos princípios. Em relação à estética, por exemplo, (e não propriamente à saúde), o espaço na mídia tem sido inundado por propaganda de produtos os mais diversos. O marketing faz as cabeças pensarem como ele quer, principalmente as femininas. O culto ao corpo e à beleza sobrepõe mesmo ao bem estar. É o império do narcisismo. Os banheiros tem se transformado em verdadeiras vitrines de produtos estéticos, a cada dia com nomes novos, aparências novas e preços novos. A especificidade é a arma da indústria para vender. Existe para cada parte do corpo um produto específico. Desde os cílios até as unhas dos pés.
Diante de tudo isso, percebemos que o visual das pessoas têm mudado, se antes o traje era o identificador, hoje é o corpo. Assim, tem lógica a proliferação de academias e dos mais variados tipos de tratamentos estéticos.
Bem, entendo que tudo é relativo: depende do que eu valorizo na vida. Se para mim os bens materiais é que contam, é por eles que tenho que lutar, pois, para aqueles que têm a Bíblia por referência, pode ver em Mateus 6:21 “Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.”

 
www.josemoreirafilho.com.br
José Moreira Filho
CP: HD – FCI/ALAMI – novembro/2014

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco”(43)

Só o leve pode ser forte. O galho que resiste à correnteza é quebrado.

A folha que vai com a correnteza, viaja o mundo inteiro! (Ciberpajé)
*
Nessa existência conheci muitos “donos do mundo”, todos desesperados,
assustados, temerosos, vaidosos, tristonhos. Muitos deles vis, cruéis
e sempre perdidos, com os olhares distantes, os corações enrijecidos,
os sonhos destruídos. E mesmo assim tantos cegos ainda sonham em serem
donos do mundo. Eu não sou dono de nada, eu vivo e sigo com o vento,
às vezes lento, noutras selvagem, mas sempre atento. (Ciberpajé)
*
Sonhei que era um homem. Acordei assustado no meio da matilha, subi a
montanha sozinho e fui uivar para a Lua. (Ciberpajé)
*
Quanto maior e mais exuberante é a minha luz, mais tenebrosa e
complexa é a minha sombra. (Ciberpajé)
*
Não se preocupe com o fim do mundo, tudo que começa tem um fim, a
existência só tem sentido por completar-se na inexistência. Foque-se
em seu agora, transmute-o em vida plena, isso basta. (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela
UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e
professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Acadêmico da ALAMI, possui obras  premiadas nas áreas de arte e
tecnologia, performance e histórias em quadrinhos.

 

 

CP: HD – FCI – ALAMI – novembro/2014

“Cadê sua mala?!”

 

Li um artigo interessante, que aborda o tema em evidência. Segundo o autor, há pessoas que carregam a vida toda, além da sua, malas de outras pessoas. Esquecem-se da própria… Corre de um lado para outro, e sem perceber deixam carentes, pessoas que dependem de sua atenção e cuidados, inclusive na solução de problemas pendentes. Tapam buracos que não fizeram, fecham comportas que não abriram e assim sucessivamente… São pessoas generosas que se doam ao máximo, sem pensarem em si e nos seus… Porém, os familiares ressentem ausências… O zelo cotidiano fica a desejar; inclusive perdem o foco de propósitos programados dentro da própria existência. Diz ele ainda, que a estrada é longa, e muitas vezes, o peso da carga atribuída, não é proporcional à capacidade e resistência do carregador; daí o esgotamento, depressão, estafa, e seus aliados… As sequelas… Sabe-se que Deus dá o frio de acordo com os agasalhos, porém há àqueles que se aventuram, e se mutilam… Os limites precisam ser observados. Há também os oportunistas que abusam da bondade alheia, sem qualquer constrangimento… Não se trata de voluntários do bem, essa é outra história… Esse é o toque que a vida dá a todos; o cansaço, e o desgaste, tornam o ser insensível às belezas da vida, que não são poucas, e acaba por racionalizar o que poderia ser sacralizado. Aproveitar a vida, e belos momentos oferecidos, faz parte de um todo, porém muitos passam ilesos a esses benefícios. Compromissos assumidos, sem a condição necessária para sua execução é sem dúvida uma agressão para quem os assumem. O sofrimento e a ansiedade exaurem a energia vital. E ele afirma com toda categoria: É hora de acordar, começar a limpeza e devolver as malas… Não tenha receio; é a oportunidade que se apresenta, para quem ainda não a teve, de agir e de carregar sua própria mala… Ajudar, amparar, proteger são atitudes de amor, de carinho… Muitos não entendem… As malas carregam geralmente coisas de alguém, são personalizadas… Precisam de cuidados do dono para não desaparecerem ou serem trocadas, como acontece de quando em vez,nos aeroportos. Acredito que o autor, está a carregar muitas malas alheias, daí sua intolerância… –Onde anda a sua mala ?!

 
Adelaide Pajuaba Nehme
Acadêmica da ALAMI
CP: HD – FCI – ALAMI – novembro/2014

Tempo de luzes

Whisner Fraga é escritor. Contato: wf@whisnerfraga.com.br

 

Não sou especialmente fã de natal. Não dou muita bola para esse sentimentalismo bobo, para esse consumismo exacerbado, para essa bobagem de papai noel e quejandos. Não faço muito esforço para incutir, nessa época do ano, qualquer tipo de sentimentalismo na mente infantil de minha filha. Ensino a ela que a fraternidade tem de acontecer todos os dias da vida. Idem para o respeito ao próximo, para o amor, para a liberdade. Espero, para seu próprio bem, que ela venha aprendendo essas lições.
Não ligo para o natal, mas gosto de algumas coisas que acontecem quando chega novembro e a cidade começa a se preparar para a data. Não entendo muito essa história de um senhor de barbas brancas que veste uma roupa muito quente para nosso calor de 35 graus ou mais. Não entendo também as renas espalhadas por jardins cobertos por um algodão que imita a neve. Não entendo as pessoas cantando pelas ruas “Wewishyou a merrychristmas”. É muita subserviência, na minha opinião. Mas acontece.
Como eu ia dizendo, o natal se tornou muito merchandising e pouco significado. Não que o significado me interesse também, mas sempre peço coerência quando ela é necessária. O negócio é que ontem eu vinha para casa, já era noite. Início de noite. E, passando por uma escola, vi uma enorme estrela de luzes e, descendo por ela, um véu gigantesco, branco, que descia pelas paredes do prédio, iluminando quase todo o quarteirão. Aquilo me emocionou. Não pelas lâmpadas em si, tampouco pela estrela, mas porque ali parecia haver algo parecido com uma obra de arte.
Chegando ao prédio onde moro, encontrei o porteiro preparando os enfeites na fachada. Tratava com deferência a decoração. Examinava o melhor canto do portão onde encaixar um sino ou um boneco de neve ou um laço. Fiquei observando seu trabalho metódico e percebi que talvez fosse a única tarefa que ele considerasse digna de ser feita durante o ano. Porque, convenhamos, controlar a entrada de pessoas, receber e distribuir cartas e jornais, conversar com condôminos chateados por qualquer coisa, não são lá atividades empolgantes.
Revisito minha infância e os adornos luminosos que a cidade em que nasci recebia a partir de novembro. Era o melhor mês do ano para mim. Gostava de passear pelo centro, à noite, para examinar o fulgor daquelas lâmpadas de todas as cores. Gostava de testemunhar o azul, o vermelho, o amarelo, ricocheteando no rosto das meninas. Gostava de ouvir o salto agitado das matronas ecoando pelo interior das lojas ainda abertas no meio da noite. Gostava de sentir minha mãe feliz por poder nos dar um sapato novo, que continuaria a pagar até o próximo natal. Gostava de tudo isso e não me importava, absolutamente, com todo o resto.
CP: HD – FCI/ALAMI – novembro/2014

Arquivo público da Fundação Cultural conta a história de Ituiutaba, através de jornais, revistas e fotos

Um rico acervo cultural e histórico, formado por jornais que datam à década de trinta e revistas, esta a disposição dos pesquisadores e do público leitor na Galeria de Antiguidades da Fundação Cultural, em sua sobre loja.
Jornais como: Jornal Folha de Ituiutaba, “Jornal Cidade de Ituiutaba (1934) que tinham naquela época a direção de Ercílio Domingues, e em 1935, “Jornal o Vencedor”, fundado e dirigido por Álvaro Brandão de Andrade, ex-diretor do Instituto Marden.
Outros jornais que conta o dia a dia do povo, de grande circulação, a partir da década de setenta foram: o Jornal Diário Regional e Jornal Esteio, mas a história não pára ai, pois essa narrativa continua em nosso tempo pelos jornais: Jornal do Pontal, Jornal Gazeta do Pontal, Jornal Hoje em Dia e Jornal Folha da Região.
É bom salientar que o primeiro jornal a escrever sobre a história de Ituiutaba, a partir de 1907, foi o “Jornal Vila Platina”, fundado e dirigido por, Pio Augusto Goulart Brun (primeiro presidente da Câmara Municipal de Ituiutaba). E revistas como Cidade em Foco, revista Página da Semana, Revista Impacto e Revista Esplendida traçam um retrato vivo de nosso comércio, indústria, turismo e da sociedade local.
O pesquisador irá encontrar fotos de figuras históricas e folclóricas desta cidade como: Bem Preto, Zé do Óleo, Maria Rosa, Vó Antônia, Pula, carnavalesco Carício Tannus, Lurdinha, sindicalista João Sergio de Medeiros, várias fotos da família árabe, dentre outras. É bom lembrar que além desse arquivo público a disposição de estudantes, professores, pesquisadores e população em geral, os visitantes encontrarão um grande acervo de objetos e artefatos históricos, uma verdadeira viagem ao passado. Após a visita, o visitante receberá um ou mais livros, do projeto “Ler Mais”.

 
Saiba mais sobre Ituiutaba, acesse: www.portalituiutaba.com.br
(Ituiutaba, 20 de novembro de 2014)

Comissão julgadora do Concurso de Contos “Águas do Tijuco de Ituiutaba” pede prorrogação de prazo para entregar resultado

O presidente da Fundação Cultural de Ituiutaba, professor Francisco Roberto Rangel recebeu pedido assinado pelos integrantes da Comissão Julgadora, encarregada de selecionar os melhores contos, do Concurso de Contos “Águas do Tijuco de Ituiutaba”, solicitando prorrogação de prazo para entrega dos resultados, devido a complexidade da analise que está sendo feita por cada membro da comissão, nos contos inscritos.
Segundo o presidente Rangel, esse pedido traz atraso no recebimento do resultado, mas por outro lado, mostra o cuidado que a comissão está tendo na analise de cada conto inscrito, valorizando cada participante, reforçando a sua importância junto aos contistas de todo pais, que ao participar do mesmo, o faz, acima de tudo, pelo zelo e pela forma, que o mesmo é conduzido. O pedido não determina os dias que a comissão precisa para terminar o julgamento dos contos inscrito, mas o professor Rangel acredita que até o dia 15 de dezembro a Fundação Cultural esteja em condição de divulgar o nome do vencedor desta terceira edição do concurso.
A Fundação deveria ter recebido o resultado no último dia 15/11, para poder divulgar esses resultados para todo país até o dia 01/12/2014, de acordo com o edital do concurso.

 
Saiba mais sobre Ituiutaba, acesse: www.portalituiutaba.com.br
(Ituiutaba, 18 de maio de 2014).

É preciso voar

Saavedra Fontes

Ausentei-me de mim por algumas horas e parti para outras dimensões do espírito. Fui buscar no mundo dos sonhos a paz e a fantasia, acessórios da vida que ajudam a domar o cansaço e as frustrações. É uma viagem extraordinária e rápida, fácil de ser feita, confortável e linda… É um vôo sem escala ao espaço sideral, prático e gratuito. Como o fazer? Procure no porão de sua mente o par de asas que você esqueceu jogado nos tempos de criança. Exercite-o durante alguns dias para ver se ainda está funcionando. Geralmente está. Aguarde uma noite de luar imenso, chegue até a janela e ponha-o nas costas esperando pelo momento exato de saltar e bater as asas com vontade e vigorosamente. Leve com você a crença de que o momento existe, fecha os olhos e parta… Previno-o, entretanto, que é preciso ter um coração sensível.
Quem consegue fazê-lo descobre em cada constelação uma estrela especial, que o recepcionará com imagens vivas do passado, registradas nos grandes momentos da infância e da juventude. São as estrelas da saudade, que não perdem o brilho com o passar do tempo, antes aumentam de intensidade e irradiação. Uma coisa eu lhes digo, a saudade recuperada é o verdadeiro bálsamo, não só cicatriza como também cura as dores da ocasião. Substitui com vantagens os eufemismos comuns com os quais nos consolam: “os velhos são sábios”, “melhor viver bastante do que morrer antes”, “o senhor está bonzinho?” e assim por diante sempre no diminutivo – como se o velho fosse algo excêntrico digno de piedade constante.
Os moços talvez não possam voar, raramente têm saudades. É preciso envelhecer para senti-las. Na juventude o tempo passa muito rápido e as emoções são constantemente trocadas, não oferecendo espaço para os sentimentos da alma. No jovem o coração comanda e, por mais paradoxal que seja, aliado a uma racionalidade que expande as paixões e recolhe a sensibilidade do espírito. Por isso raramente voam… Somente os mais velhos o sabem fazê-lo com mais assiduidade e persistência, enquanto as crianças atingem outras estrelas, as que não guardam saudades, mas produzem fantasias.
Sonhar é fazer da vida um folguedo que sustenta o peso da realidade, normalmente suportável na juventude, mas que vai ficando difícil à medida que avançamos. Vamos, vá até o porão e pegue suas asas esquecidas, comece a partir de hoje a treinar, para amanhã chegar a tempo de revê-las e as fantasias, que são suas, totalmente suas. Não se envergonhe de perseguir seus sonhos e nem tenha medo de não conseguir alcançá-los, eles são como peças descartáveis de seu íntimo, que podem ser substituídas sem prejuízo de suas emoções. O segredo está em persegui-los de forma lúdica e permanente, aprendendo a voar. Ontem eu voltei de uma viagem assim, revi amigos, parentes e as minhas mais fascinantes fantasias. Imaginem, dancei com a Ginger Rogers e abracei a Marilyn Monroe. Não é fantástico?

CP: HD – FCI/ALAMI – novembro/2014

Quando nos tornarmos cidadãos

Whisner Fraga é escritor. Contato: wf@whisnerfraga.com.br

 

A cidade deveria ser nossa. Dividida entre a vontade do poder instalado e o desejo da iniciativa privada, ela agoniza em sua missão disfuncional. Queremos nos mover, mas nos sentimos impotentes diante da imobilidade de uma urbe caótica e sem diretrizes. Aqueles que nos representam precisam decidir entre o carro particular e o transporte coletivo. É tarefa deles escolher o que priorizar. Assim, precisamos estar conscientes que, quando elegemos políticos, investimos no aumento ou na diminuição de emissão de poluentes, no acréscimo ou não dos velhos privilégios para poucos, na venda ou na recuperação de lugares públicos.
Precisamos nos desacostumar com a visão de que somos donos de espaços coletivos. A calçada não é nossa, aquele trecho entre a sarjeta e o meio da rua, onde os carros normalmente estacionam, não é nosso. O patrimônio da prefeitura não é nosso. Cabe a ela, cabe aos políticos instituídos democraticamente decidir o que fazer com o que é do povo. Construir escolas para a população que delas precisa, erigir bibliotecas, centros de convivência, parques. Deixar a cidade mais acessível e mais bonita.
Tenho a impressão de que a cidade foi vendida. Um filme a vinte reais, uma peça a quarenta, uma caminhada a dez reais, tudo tem preço e poucos podem pagar. Quando ouço uma pessoa, contrariada, afirmar que “gasta” duas horas para chegar ao trabalho, sinto pena. Porque o tempo não se vende, o tempo é um bem não renovável, não retornável. O tempo, aliás, não é um bem e não deveria ser negociado. O tempo é nossa vida.
O que fazer para recuperar uma cidade que talvez nunca tenha sido verdadeiramente nossa? A senhora lava o quintal de sua casa, o rapaz enxuga o carro na garagem e ambos pensam que a água é deles, porque eles pagam as contas em dia. A água não é deles. Precisamos aprender a pensar coletivamente. Se desperdiço algo, mesmo que tenha condições de bancar esse desperdício, faltará para alguém, talvez até para mim mesmo. Então eles espalham o medo: privilegiar o coletivo pode levar ao fim do privado.
Essa falta de educação produz violência. O trânsito mata cada dia mais. Nas ruas, a criminalidade aumenta. A desigualdade semeia a insatisfação. Precisamos de escolas, de parques, de bibliotecas, de clubes, de ciclovias, de transporte público eficiente, de fraternidade. Precisamos exigir a cidade de volta. Precisamos de acessibilidade para aqueles com déficit de mobilidade, precisamos de escolas que abram aos finais de semana para a comunidade de seu entorno, precisamos de livros disponíveis gratuitamente em cada esquina, precisamos de internet de graça e de qualidade. Precisamos nos tornar cidadãos para depois reivindicarmos a posse de nossa cidade.

 
CP: HD – FCI/ALAMI – novembro/2014

Fama e importância

O que é mais consistente e duradouro? A fama ou a importância? Sabemos que a fama por sua natureza é fugaz, efêmera e decepcionante. Está sempre ligada a fatos e ações, que por sua vez, geram lucro e conforto, porém não o bem estar. Produz aplausos, não a alegria. É glamorosa e movimenta multidões, mas não evita a solidão. O famoso é prisioneiro de suas circunstâncias. Tem a liberdade cerceada pelos contratos milionários não podendo assim gozar das coisas simples, naturais e verdadeiramente prazerosas da vida. O perigo se torna maior quando a fama chega já na tenra idade. A criança ou adolescente não tem a sabedoria necessária para lidar com a glória e momentos faustosos. Nesse caso se não houver um acompanhamento dos pais, pode ser muito prejudicial para sua vida adulta. Mesmo os que têm anos de vivência na lide da fama, correm o risco de se enredarem nos laços capciosos do glamour e perderem o real sentido da vida. A história está cheia de famosos que se mataram, se ensandeceram pensando encontrar a paz nas drogas e nos prazeres profanos.

Já a importância tem outro sentido. Eu me torno importante quando sou importado para dentro do coração de alguém e ali permaneço. A importância não depende de riqueza e sim dos valores morais e espirituais que fazem com que minha companhia seja desejada. A importância me alia aos prazeres sólidos da vida. Me dá liberdade e paz. A importância da roupa que visto não é a grife que ela ostenta, mas o conforto que dá ao me proteger. A importância do meu calçado não está ligada ao preço e sim ao prazer e segurança do meu caminhar. ( A título de curiosidade: como disse Mário Sérgio Cortella, há pais que compram para seu filho um par de tênis que custa o preço de dois pneus do carro)
A importância está relacionada ao acolhimento, enquanto a fama está relacionada à tolerância. Eu acolho o que é importante para mim e tolero o que é famoso. Daí a importância ser duradoura, permanente e a fama passageira. A fama não deve me atrair, mas devo me preocupar em ser importante para alguém.
É relativamente fácil entendermos essa analogia se percebermos que a fama se atrela ao ter e a importância ao ser. E perceber que sendo, eu tenho. Mas nem sempre tendo, eu sou.

 
José Moreira Filho
moreira@bacioti.com
CP: HD – FCI/ALAMI – novembro/2014