EDITAL 3º CONCURSO DE CONTOS DE ITUIUTABA – “ÁGUAS DO TIJUCO”

A Fundação Cultural de Ituiutaba, com o objetivo de promover a literatura nacional, vem através deste tornar públicas as normas para a participação no 3º CONCURSO DE CONTOS DE ITUIUTABA “ÁGUAS DO TIJUCO”.

 

 

REGULAMENTO

 

 

1. DO CONCURSO
1- A Fundação Cultural de Ituiutaba será responsável pela elaboração do regulamento, organização do concurso, indicação da Comissão Organizadora e Comissão Julgadora, divulgação dos resultados e pagamento da premiação.

2- Os trabalhos de seleção e habilitação dos contos aptos à participação dar-se-ão por intermédio de Comissão Organizadora Paritária, composta por 05 (cinco) membros, representantes da Fundação Cultural de Ituiutaba, representante do conselho curador e cidadãos de notório conhecimento literário.

3- O concurso dará ênfase a um único gênero literário: o conto.

4- A participação do concurso implicará na concordância automática do participante com todas as cláusulas desse regulamento.

5- Cada escritor poderá participar com apenas um conto e sem limite de páginas.

6- Do concurso poderão participar brasileiros residentes em qualquer estado da federação e egressos de território internacional, abstendo-se de participar membros da comissão organizadora, comissão julgadora, bem como servidores da Fundação Cultural de Ituiutaba direta ou indiretamente envolvidos na organização.

2. DOS TEXTOS

1- É vetada a participação de obras que já tenham sido, anteriormente, premiadas ou tenham recebido menção honrosa em outros concursos literários, sob pena de inabilitação.
2- A Formatação dos textos deverá ser digitada em folha A4, corpo 13, espaço 1,5 (entrelinhas) e fonte Arial, impressos na face frontal da página, devendo as subseqüentes, caso hajam, estar numeradas e grampeadas.

3- Fica proibido o envio de capa, ilustrações, fotografias, prefácios, dedicatórias, agradecimentos ou quaisquer caracteres que possibilitem a identificação do escritor participante;

 

3. DAS OBRAS INSCRITAS

1- A comissão organizadora analisará, selecionará e encaminhará os originais para a comissão julgadora.

2- Ao submeter o texto à comissão julgadora, o autor renuncia aos direitos de sigilo da obra, autorizando, automaticamente, a divulgação do material nos meios de comunicação disponíveis, preferencialmente, via internet.

3- Para todos os efeitos legais, os autores declararão ser legítimos criadores dos textos inscritos e, assegurarão o ineditismo dos mesmos, eximindo a Fundação Cultural de Ituiutaba, bem como a comissão organizadora de responsabilidade por eventual infração em sua totalidade ou particularidade.

4. DAS INSCRIÇÕES
1- A participação é livre e isenta de taxa de inscrição.

2- O período de recebimento dos contos dar-se-á de 1º de Junho a 1º de Agosto de 2014 e, os contistas que pleitearem participação deverão enviar a respectiva produção cultural para a Rua 24, nº 1332 – Centro, Ituiutaba-MG – CEP:38.300-078, Fundação Cultural de Ituiutaba, aos cuidados da Comissão organizadora, responsável pelo recebimento, cadastramento e encaminhamento à avaliação dos contos recebidos.

3- Os contos deverão ser enviados em um envelope grande e lacrado, identificado na frente com o nome do concurso. Dentro deste envelope os concorrentes deverão enviar um envelope menor, também lacrado, identificado na parte externa apenas com o título do conto e o pseudônimo utilizado. O envelope menor deverá conter uma folha com os seguintes dados: nome completo, e-mail, telefone para contato e dados biográficos. O prazo para inscrições termina impreterivelmente em 1º de Agosto de 2014, valendo a data do carimbo do correio.

4- Os contos deverão ser apresentados em quatro (04) vias.
5- Mídia digital contendo gravação do conteúdo integral do texto apresentado.

5. DOS DIREITOS AUTORIAIS
Parágrafo Único: A participação, a respeito da qual seja constatado qualquer ato atentatório à fidedignidade do concurso será julgada pela Comissão Organizadora, que decidirá pela responsabilização administrativa, sem prejuízo, das sanções penais e da responsabilização cível, cabíveis.

 

6. DA ESCOLHA DA COMISSÃO JULGADORA
Parágrafo Único: A Comissão julgadora do 3º Concurso de Contos de Ituiutaba “Águas do Tijuco”, será indicada pela Fundação Cultural de Ituiutaba e Comissão Organizadora.

 

7. DOS RESULTADOS

1- Não haverá devolução dos contos concorrentes, os quais, findo o concurso, serão incinerados com os respectivos envelopes de identificação.

2- Além do conto premiado, outros nove serão selecionados, independentemente de classificação, que com o conto ganhador, constituirão um livro, com tiragem de 500 exemplares e distribuição gratuita, a ser publicado segundo critérios estabelecidos pela Fundação Cultural de Ituiutaba, observados os princípios da legalidade e da moralidade administrativa.

3- Reserva-se a cada um dos 10 autores que colaborarem na composição da obra e comissões participantes a quantidade de 10 (dez), exemplares.

8. PREMIAÇÃO
1- Ao autor do melhor conto será entregue o prêmio, indivisível, em moeda corrente, no valor de R$ 3.000,00 (Tres mil reais), reservadas as obrigações tributárias previstas em lei.
2- A solenidade da entrega da premiação ocorrerá em data agendada pela Fundação Cultural de Ituiutaba e demais interessados. As despesas com locomoção, estadia, alimentação e demais gastos ficarão às expensas do ganhador, devendo o mesmo se deslocar à cidade de Ituiutaba.
9. DAS RESPONSABILIDADES
1- Serão automaticamente desclassificados os trabalhos encaminhados fora do prazo estipulado e, aqueles que se apresentarem em divergência às normas estabelecidas neste regulamento.
2- O participante autoriza, desde já, a utilização de seu nome e imagem, livre de quaisquer ônus, para fins de divulgação e promoção do concurso literário em todo território nacional.
10. DISPOSIÇÕES GERAIS
1- A participação neste concurso cultural implica na aceitação automática e irrestrita das normas previstas neste regulamento.
2- Dúvidas relacionadas a este instrumento deverão ser enviadas para o endereço eletrônico: concurso.aguas.do.tijuco@outlook.com
3- Os casos omissos serão resolvidos pela Fundação Cultural de Ituiutaba, em decisão soberana da Comissão Julgadora.

 

Ituiutaba, 30 de Maio de 2014.

Francisco Roberto Rangel
Presidente da Fundação Cultural de Ituiutaba Lilian Cristina de Oliveira Dias
Presidente da Comissão Organizadora.

 

Conselho Curador da Fundação Cultural de Ituiutaba reuniu-se ordinariamente

O Conselho Curador da Fundação Cultural de Ituiutaba reuniu-se ordinariamente na noite da última terça-feira, 22, sob a presidência do professor José Moreira Filho e que contou com a presença do presidente da entidade, professor Francisco Roberto Rangel, quando foram tratados vários assuntos de interesse da comunidade e da cultura deste município. Na abertura da reunião, o presidente do Conselho, professor Moreira fez uma saudação aos presentes, oportunidade em que anunciou a presença do professor da escola federal IFTM, Humberto Minéu que naquela reunião falaria de seu projeto de educação ambiental, que está sendo desenvolvido nas escolas desta cidade sobre a reciclagem dos resíduos sólidos e orgânicos, com a proposta de ajudar a resolver esse grave problema de coleta do lixo em Ituiutaba. A seguir a palavra foi passada o membro do conselho, secretário da reunião, advogado Daniel Severino que fez uma exposição dos assuntos em pauta naquela reunião. Depois a palavra foi concedida ao presidente da Fundação que fez as segues colocações sobre os assuntos anunciados na reunião: Falou sobre a expectativa do encerramento das inscrições do 3º Concurso de Contos de Ituiutaba “Águas do Tijuco”, que de ano para ano vem crescendo a participação de contistas do país inteiro, o que garante o sucesso do concurso de ano, a ano. Falou sobre a adequação da lei nº 4.293 que criou a FCI, a instituição de direito privado, para direito público, para que a entidade dirigida por ele possa pleitear verbas oriundas, dos governos estadual e federal. Falou sobre a importância da Banda Mirim, projeto esse de um largo alcance social, que atende crianças e adolescentes em risco social, oferecendo a essas crianças a oportunidade de resgatarem o seu direito de cidadania, de libertação dos perigos que o mundo das drogas pode oferecer, especialmente, para crianças sem ocupação, mas falou, sobretudo, que o projeto da banda mirim oferece uma profissão a essas crianças um caminho seguro. Para encerrar sua participação na reunião o presidente Rangel, disse que Fundação Cultural está fazendo um levantamento sobre os Sítios Arqueológicos existentes no município, afirmando que eles existem mais ninguém sabe onde eles estão. Para localizá-los foi adquirido um GPS e constituída uma equipe para fazer esse levantamento. Disse que são mais de trinta e nove sítios arqueológicos e que cada um terá uma pasta de registro, com fotos e endereços certos, com mapa e onde se localizam, via de acesso, distância e histórico do tipo de sitio que existe naquele lugar. Ressaltou a participação dos fazendeiros na descoberta desses sítios e o cuidado que cada um deles tem demonstrado, sobre a importância desses sítios para o município de Ituiutaba, porque registram épocas diferentes da nossa história e também porque esses registros ajudam a aumentar a pontuação do município com relação ao seu ICMS Cultural. Encerrando a reunião foi dada a palavra ao professor Humberto Minéu, do Instituto Federal do Triângulo que fez uma ampla explanação sobre o seu projeto de Educação Ambiental, nas Escolas de

Fundação Cultural de Ituiutaba promove confraternização entre os músicos da Banda Mirim Elias Antônio Daia

Acompanhados do presidente da Fundação Cultural de Ituiutaba, professor Francisco Roberto Rangel, da vice-presidente Adriana Moura Vilarinho e do maestro Sandro Aparecidos dos Santos Lima, os músicos da Banda Mirim Elias Antônio Daia, constituída por meninos e meninas, na faixa etária de 9 a 17 anos, fizeram uma confraternização diferente, na tarde da última quarta-feira, 23, ao invés de churrasco ou de salgados, regados a refrigerantes servido em churrascaria ou em salões de festa, o encontro patrocinado pela Fundação Cultural, aconteceu em uma sorveteria da cidade (Naturipapa), onde a garotada pôde se deliciar dos mais saborosos sorvetes.

 

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Segundo o maestro, professor Sandro, a escolha foi deles, mas isso só foi possível devido à aplicação e frequência regular de cada um nas aulas de música da banda. “É um prêmio a cada um deles que tem se esforçado a cada dia que passa, para alcançar o objetivo que buscam serem músicos e ter uma profissão”, comemorou o maestro Sandro.
“Para nós é motivo de muita alegria, poder oferecer a essa moçada um momento de descontração e amizade, vendo cada um desses meninos e meninas, sentirem-se valorizados, felizes, pelo que estão fazendo, aprendendo uma profissão, alcançando por intermédio desse caminho sua independência, se libertando dos riscos que muitos deles correm nesse mundo perigoso das drogas. Graças ao esforço de cada um, mas, sobretudo, graças a esse importante projeto da Fundação Cultural, nós podemos comemorar, estamos regatando o direito de ir e vir de cada uma dessas crianças e adolescentes, por isso eu fiz questão de estar aqui, para confraternizar com eles, esse momento festivo de suas vidas”, disse o presidente da FCI, professor Rangel.

 

“Projeto Educar” está chegando às escolas públicas municipais, do ensino fundamental de Ituiutaba

O Projeto Educar de Ituiutaba é formado por um conjunto de ações desenvolvidas por equipe multidisciplinar de profissionais a partir da iniciativa da Fundação Cultural, e que será levado á algumas escolas municipais de Ituiutaba, com o objetivo de ensinar e orientar, estudantes do ensino fundamental, sobre a importância de se preservar os bens materiais e imateriais, móveis e imóveis do Patrimônio Histórico da Cidade, seguindo orientação e diretrizes do IEPHA – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais.
O projeto irá estudar Casa da Cultural/MUSAI, Praça Cônego Ângelo, Catedral de São José e Panelas Indígenas, onde nossa identidade cultural se faz presente, pelos fatos, e pelos objetos e artefatos encontrados, deixados pelos nossos antepassados e que contam a história de nossa cidade. O público alvo inicialmente contemplará alunos do terceiro ao quinto ano do ensino fundamental das escolas municipais: Salim Bittar e Nadime Derze.
Criar um vínculo permanente de educação patrimonial, numa interação produtiva entre a Casa da Cultura/MUSAI, Praça Cônego Ângelo, Catedral de São José e Panelas Indígenas e as escolas do município de Ituiutaba, buscando levar a um processo ativo de conhecimento crítico, preservação sustentável e fortalecimento do sentimento de identidade cultural e cidadania.
O projeto visa também, dentro do processo permanente de pesquisa e levantamentos, aumentar a pontuação do município para o ICMS Cultural, instituído pelo Governo de Minas, buscando através desse processo aumentar os seus recursos financeiros, advindos dessa pontuação, para que o município possa financiar a sua política cultural.
Segundo o presidente da Fundação Cultural de Ituiutaba, professor Francisco Roberto Rangel, o primeiro passo a ser seguido agora é o treinamento dos professores das escolas contempladas com o projeto, que ocorrerá no dia 30/07/2014, às 10h, na Escola Nadime Derze e posteriormente, o mesmo será levado para as salas de aula das duas escolas.

 

Fundação Cultural comunica que às inscrições para o 3º Concurso de Contos de Ituiutaba “Águas do Tijuco” encerram-se dia 1º de agosto

A Fundação Cultura comunica aos contistas que às inscrições para o 3º Concurso de Contos de Ituiutaba “Águas do Tijuco”, encerram-se no próximo dia 1º de agosto de 2014.

Em 2013, o concurso teve a participação de quase quinhentas inscrições de várias partes do Brasil e de brasileiros residentes no exterior. A organização espera que esse ano, o número de participantes seja superior. O prêmio para o vencedor e de R$ 3.000,00, um dos maiores prêmios literário do país.

É de responsabilidade da promotora a indicação da Comissão Organizadora e da Comissão Julgadora do evento, bem como a divulgação dos resultados e pagamento da premiação.

De acordo com o regulamento os trabalhos de seleção e habilitação dos contos aptos à participação dar-se-ão por intermédio de Comissão Organizadora Paritária, composta por cinco membros, representantes da Fundação Cultural de Ituiutaba, representante do Conselho Curador e de cidadãos de notório conhecimento literário. O Concurso dará ênfase a um único gênero literário: o conto.

Poderão participar do Concurso, brasileiros residentes em qualquer estado da federação e egressos de território internacional, abstendo-se de participar membros da comissão organizadora, comissão julgadora, bem como servidores da Fundação Cultural de Ituiutaba direta ou indiretamente envolvidos na organização.

É vedada a participação de obras que já tenham sido, anteriormente, premiadas ou tenha recebido menção honrosa em outros concursos literários, sob pena de inabilitação. A participação é livre e isenta de taxa de inscrição.

Os contos deverão ser enviados, em um envelope grande e lacrado, identificado na frente com o nome do concurso. Dentro deste envelope os concorrentes deverão enviar um envelope menor, também lacrado, identificado na parte externa apenas com o título do conto e o pseudônimo utilizado. O envelope menor deverá conter uma folha com os seguintes dados: nome completo, e-mail, telefone para contato e dados biográficos. Os contos deverão ser enviados para Rua 24, nº 1332 – centro, Ituiutaba-MG – CEP: 38. 300 078.

 
Maiores informações no regulamento através do site: www.fundacaoituiutaba.com.br

 

O homem passa e a história fica

Saavedra Fontes

Nós, que alcançamos o século XXI e vivemos a parafernália de uma época globalizada, sentimos certa saudade do mundo menos conhecido do início do século passado. Havia o mistério, a magia do desconhecido, as notícias chegavam atrasadas, mas com impacto verdadeiro. Hoje não, a gente acompanha in loco e até mesmo na hora exata as coisas que estão acontecendo. Dramas e tragédias ficam banalizados pela variedade e quantidade de ocorrências a tal ponto, que ninguém mais se surpreende. . Já não há testemunha viva dos fatos ocorridos em 1900, claro que não. Ou há? Como deve ter sido a recepção dos leitores pelo livro “Os Sertões” de Euclides da Cunha, contando a saga de Antônio Conselheiro e a guerra de Canudos? Que confusão deve ter sido no Rio de Janeiro a política sanitarista de Oswaldo Cruz de combate à varíola e à febre amarela, gerando polêmica e incompreensão? E o voo de Santos Dumont com o seu 14-Bis, o que não deve ter dado o que falar? Mais ainda o alvoroço que deve ter causado Einstein com a sua Teoria da Relatividade, revolucionando as noções vigentes de tempo e espaço. E o pioneirismo e genialidade de Henri Ford introduzindo a linha de produção industrial de seus carros ou o naufrágio do Titanic, matando mais de mil e quinhentas pessoas. Tudo isso e mais a guerra de 1914, a invenção do sutiã que substituiu o espartilho tradicional, a descoberta das ondas curtas que permitiram a radiodifusão internacional, a queda da bolsa de Nova Iorque gerando crise econômica internacional e pânico indescritível; a chegada dos antibióticos, todas essas coisas publicadas com entusiasmo e moderação para um público que começava a perceber que ainda veriam muito mais.
Era uma época de expansão extraordinária, tanto mais notável quanto menor era a nossa capacidade de imaginar o que estaria por vir. A aprovação do novo Código Eleitoral brasileiro, que instituía o voto secreto e o direito das mulheres votarem e serem votadas; os dias maravilhosos da organização da primeira Copa do Mundo de Futebol; o cinema de Mae West, a dança do Charlestown, a orquestra de Glen Miller, a Aquarela do Brasil de Ari Barroso, Pablo Picasso e as diabruras de Salvador Dali. Os horrores da Segunda Guerra Mundial com a invenção mais trágica do Homem, a bomba atômica, que arrasou as cidades japonesas de Nagasaki e Hiroshima, oferecendo à Humanidade uma síntese de sua crueldade.
O tempo é formador de notícias e estas fazem a história para a posteridade. O Homem foi à lua, inventou a minissaia e enquanto o ditador Franco morria na Espanha a ditadura era instaurada no Chile, na Argentina e no Brasil. E se dermos um salto maior chegamos a Bill Gates e Paul Allen que fundaram a Microsoft, a maior empresa de software do mundo. Nasce o primeiro bebê de proveta, cai o muro de Berlim e como pesadelo maior surge o vírus da AIDS. Isto é só o que o meu pobre cérebro pôde lembrar em algumas poucas horas de compromisso com os leitores. Poderíamos também falar da dengue, da gripe suína, das mudanças climáticas, mas trata-se de coisas mais recentes. O que pretendo mostrar é que o tempo passa rápido e com ele vamos nós, como participantes e testemunhas da História, a única coisa que sobrevive às nossas alegrias e tragédias.

 
CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014

 

Modus operandi

Após a passagem do furacão Copa 2014, surgiram as mais diversas críticas/conclusões. Superfaturamentos, vendas ilegais de ingressos, negociata FIFA-BRASIL, etc. Milhares de brasileiros/técnicos mostrando como seriam suas seleções, palpitando nessa ou naquela escalação. Principalmente porque a atuação do Brasil foi deveras decepcionante, pois para um penta campeão jogando em casa, esperava-se pelo menos jogos que mostrassem preparação física, técnica e emocional. Fisicamente até que chegaram a aguentar 120 minutos, mas tecnicamente não valeram o investimento feito e emocionalmente a psicologia não conseguiu fazê-los tirar de uma fragorosa derrota o fortalecimento para a batalha seguinte.

Por outro lado, muitas críticas e até algumas frágeis manifestações insurgiram contra o modo como foi trabalhado esse evento. Não sabemos por que, mas a mídia não mostrou, por exemplo, comunidades inteiras sendo desalojadas de suas moradias para dar lugar às obras da Copa. Foram efetivamente expulsos e não relocados, como manda a justiça. A logística foi frontalmente contrariada em muitas situações que não foram publicadas, talvez na tentativa de mostrar turisticamente um país sem mazelas sociais. Felizmente, nós brasileiros, cordatos e hospitaleiros que somos, recebemos bem e a impressão deixada foi positiva, mas é preciso termos agora a consciência de lavarmos a roupa suja. Tanto no aspecto esportivo, como no político e social. É preciso revermos o modus operandi e com urgência, pois em 2016, olha nós aí de novo, sediando evento esportivo. Jogos Olímpicos pela primeira vez na América do Sul.
Nem só de futebol vive o brasileiro, mas de toda ação saída do trabalho honesto, consciente e produtivo . Que tal, se conseguíssemos despertar em nossos corações o mesmo entusiasmo, a mesma paixão pelo saber, pelo conhecimento formal e pelos bons costumes? Cantássemos o Hino Nacional igualmente em todas as situações? Aprendêssemos com os japoneses a importância da limpeza e com os alemães a força da disciplina e do planejamento? E mais, continuássemos com a mesma disponibilidade de segurança dispensada no período da Copa? Aí sim, teríamos tirado proveito do 7X1. Mas constatamos que mal terminou o evento e já voltam os incêndios a ônibus, assaltos e latrocínios. Teria sido benéfico se o lúdico também fosse didático. Assim, quem sabe na próxima Copa aprenderemos com os acertos invés de com os erros.
Pelo andar da carruagem, parece que tudo vai voltar como dantes no quartel de Abrantes. A poderosa FIFA levou embora o padrão, a alegria e o dinheiro.

 

 

José Moreira filho

www.josemoreirafilho.com.br

 

 

CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014.

“Ai, que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais…”

O poeta Casimiro de Abreu autor da frase tinha razão…! Quem disser que não tem saudades da infância, da adolescência, naturalmente se esqueceu dos bons momentos vividos… Por pior que tenham sido, deixaram muitas lembranças… Criança brincava de pique, de bola, de roda, de pião, bola de gude, de boneca, pular corda, maré, teatro e uma infinidade de atividades lúdicas, aliadas de forma aleatória ao esporte. Corriam, saltavam, pulavam, participavam com euforia de piqueniques organizados pela escola, como gostavam!… Andavam a cavalo, nadavam nos rios e nas cachoeiras, e deliravam… Criança era criança mesmo, dentro da pureza e da doçura que as caracterizam… Criança não bebia, não fumava, não namorava, não usava modelos de adulto, salto e nem maquiagem; não se falava em sexo… Claro, não existia a TV para ensinar, de forma explícita e indecorosa… Até que ponto a evolução constrói?! Até que ponto o avanço da tecnologia, é salutar?! As crianças de hoje não brincam, não têm tempo, tal o número de compromissos que têm de cumprir, mesmo as de tenra idade. Aulas de línguas, aulas de reforço, judô e caratê, tênis, balé, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeutas, além do comutador, internet, vídeo game, TV e celular… São ases da informática e de uma série expressiva de coisas que os adultos não conseguem fazer, com a mesma desenvoltura. Isso nos leva a pensar até que ponto o progresso é salutar… Claro que depende da mentalidade de cada um. Ninguém é ignorante para discordar do progresso… Ele chegou e tem de ficar. Não se trata disso, mas sim dos senões que atravancam esse progresso… Ninguém também tem obrigação de concordar com alguns acontecimentos noticiados, e que se constata, frutos da evolução… Não havia assaltos, sequestros, pedófilos, bandidos, vandalismo e o povo em geral era muito feliz… Casas abertas, até durante a noite, ninguém molestava ninguém. Parece que a infância e adolescência desapareceram…! Restam os esportes, uma válvula de escape, algo fabuloso e necessário… Durante a Copa do Mundo, perguntaram a um antigo e famoso treinador o fato da escassez de famosos nos times de futebol, caso de Neymar, Messi e outros; e ele comentou: “Os meninos de hoje, não jogam bola como antes; havia campinhos em terrenos baldios, fundo de quintal, praças, e a meninada com qualquer bola jogava, até com bola de meia, um treino para a vida. Dalí surgiam grandes jogadores… Hoje ficam à frente do computador o tempo todo, não se interessam como antes pela bola, nem por outras coisas …” Pura realidade…
Aborda-se um tema desses, em virtude de se ouvir tantas queixas de famílias, mães que perderam o controle da prole… Muita autonomia, concedida sem freio… Não deve e nem pode, dar asas a quem não sabe voar…

 
Adelaide Pajuaba Nehme-Acadêmica da ALAMI
CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014.

 

A ajuda dos amigos

Whisner Fraga é escritor. Contato: wf@whisnerfraga.com.br

 

 

Naquela época dois videogames dominavam o cenário de jogos no Brasil: o Atari, da Polyvox e o Odyssey, da Magnavox. O console Odyssey era bem mais caro, razão pela qual a molecada do meu bairro tinha, em geral, o Atari 2600. Mesmo com resolução horrível para os dias atuais, com as tevês de tubo a castigar os olhos, os jogos eram uma novidade impressionante para uma geração que conhecia apenas dados e tabuleiros.
Ainda não havia serviços de aluguel de cartuchos, de maneira que só nos restava pedir aos pais uma mesada um pouquinho mais gorda para comprarmos as fitas. Claro que havia um mercado pirata em ebulição naqueles tempos, o que facilitava a aquisição. A pirataria já era avançada a tal ponto que não nos era possível distinguir um jogo falso de um original. O preço, como escrevi, era uma boa dica para quem se interessasse pela diferença entre um e outro.
Eu devia ter, em sociedade com meus irmãos, uns 8 jogos, o que era insuficiente diante de nossa fome por novidades. Assim, íamos aos amigos e trocávamos cartuchos. Os clássicos todos possuíam: Enduro, Pitfall, River raid, e eram tão bons que ninguém queria se livrar deles, de forma que tínhamos duas fitas que eram itinerantes e que usávamos para barganhas. Nossa sorte é que havia o amigo João Bosco, o sujeito mais inteligente de nossa sala, que hoje é médico e trabalha no Hospital Universitário de Marília e, felizmente, não deve se lembrar dessas bobagens que narrarei a seguir.
João era dono de uma considerável coleção de consoles e fitas, de maneira que acabei por me tornar um assíduo frequentador de sua casa. Não que ficasse muito tempo por lá. Era só mesmo os minutos necessários para pedir emprestado um ou mais jogos. De início ia duas ou três vezes por semana, até que, nos dias em que o vício atingira seu auge, cheguei até a porta da casa dele e gritei por seu nome quatro vezes em uma única tarde. João e sua irmã Luciana deviam ser canonizados por tanta paciência. Não me lembro de perderem a paciência nem uma vez. Se algum dia eu tiver alguma influência junto ao Vaticano vou propor a beatificação.
Foi assim que conheci H.E.R.O., River raid 2, Frostbite, Atlantis e tantos outros games que contribuíram para que eu me tornasse este homem de meia idade com a vista cansada e envergonhado de alguns momentos de seu passado. Hoje, de vez em quando até penso em comprar um Xbox ou um Playstation, para me atualizar, rememorar aqueles bons momentos, mas não levo a ideia adiante. Vendo os jovens manusearem uns controles cheios de botões e alavancas, acho que não conseguiria me adaptar. Gosto das coisas simples, diretas (exceto em teatro, cinema e literatura, que adoro o obscuro, o complexo). De qualquer maneira, atualmente meu interesse por essas tecnologias é pequeno.
Aos ituiutabanos jogadores inveterados, um conselho: não gastem tanto tempo defronte uma tela. Há vida lá fora e viver é uma aventura que às vezes vale a penaexperimentar.

 
CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014.

Naquele tempo (1959)

Naquele tempo infância tinha conotação diferente, de hoje em dia.

Carrinhos feitos rusticamente de caixotões no fundo do quintal,
patinete, estilingue eram brinquedos escolhidos pelos meninos.
As meninas adoravam as bonecas de pano, o fogãozinho de barro,
feito pelo avô atencioso, para brincar de casinha.
O balanço improvisado, amarrado no galho da mangueira apinhada de frutos tão doces, alvo dos estilingues dos meninos que saboreavam sob a sombra generosa, o fruto de graça, com graça…
Depois do jantar frugal, assentávamos no alpendre para apreciar
o parco movimento da rua, observando atentamente, a volta dos trabalhadores pedalando energicamente,
suas velhas bicicletas, suspirando pelo jantar.
Não tardava chegar os vagalumes para cintilar a noite…
Naquele tempo a graça estava na simplicidade, na espontânea paisagem, no embalo do vento indo e vindo, correndo parelha com o tempo…
Naquele tempo as manhãs ficavam interessantes no debruçar nas janelas para apreciar os meninos entregando jornais, o verdureiro vendilhão pesando abobrinhas, mandiocas e limões,
no meio da rua.
Naquele tempo ouvíamos extasiados pelo rádio, a narração das novelas.
Aquele tempo ficou guardado, as melhores lembranças, sem páreo para substitutas lembranças…
Naquele tempo portas e janelas estava sempre aberta a espera do sol, ou de algum parente ou amigo, para trocar conversa, tomar café com pão de queijo, comer goiabada cascão com queijo flamengo fresquinho. Naquele tempo receber, e ser recebido eram dádiva de DEUS.
Naquele tempo sentar-se ao redor da mesa, para compartilhar pão e queijo, era ideal de vida.
Hoje o tempo veloz apressa, empurra, emperra tudo, fecha portas e janelas de medo. Naquele tempo, agregação familiar, amizades solidificadas pelas décadas, eram bênçãos preferidas pela vida, feito raro nos dias de hoje, infelizmente. Naquele tempo.
Rendo-me aquele tempo, à aquele tempo!…

 

 
Maria Adelina Vieira Cardoso e Gomes

Acadêmica da ALAMI

CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco” (25)

Não se iluda, se você não se ama, nunca poderá amar ninguém, o máximo

que poderá sentir é apego e necessidade pelo outro. Não se pode sentir
pelo outro aquilo que não sente por si mesmo. E ninguém te ensinou a
amar-se, ame-se profundamente, esteja eternamente enamorado de si
mesmo, a ponto de não necessitar de mais ninguém, pois quando chegar a
esse estágio estará pronto para amar os outros seres, para
compartilhar sem apego, posse. (Ciberpajé)
*
Se você necessita de alguém prepare-se para sofrer e desejar vingança.
Se você compartilha com alguém prepare-se para o êxtase! (Ciberpajé).
*
Você ouve a todos que dizem que te amam, e segue confuso os caminhos
que querem traçar para que você siga. E na tentativa de amá-los,
obedecendo-os, você destrói o único amor realmente necessário para seu
equilíbrio: o autoamor. Ame-se, siga só o seu coração. (Ciberpajé)
*
Em certas manhãs sua programação falha, você se olha no espelho e se
pergunta as razões disso tudo, você por instantes percebe que foi
programado para seguir regras e alimentar um sistema vazio, baseado no
monetarismo e desconectado da espiritualidade e da transcendência. Mas
esse ruído na programação dura pouco e em instantes você retorna à sua
vida de autômato. Quer viver? Quando surgir o novo ruído em sua
programação, ouça-o, mergulhe nele, desprograme-se! (Ciberpajé)
*
Para Lao Tse, para o Buda, para Milarepa e para muitos outros mestres
iniciados a sabedoria surge do esvaziamento do conhecimento. Ao
limpar-se de todo o lixo acumulado chamado “conhecimento” e “cultura”
você torna-se livre para experienciar e ser. Meu esforço como
Ciberpajé não é acumular mais nenhum conhecimento, é livrar-me de todo
esse lixo chamado conhecimento que me foi impingido e que contaminou
minha conexão com a natureza e o Cosmos. Uma tarefa árdua, mas para a
qual dedico-me com afinco. Esvaziar-me! (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela
UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e
professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nas áreas de arte e
tecnologia, performance e histórias em quadrinhos.

CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014