EDITAL 3º CONCURSO DE CONTOS DE ITUIUTABA – “ÁGUAS DO TIJUCO”

A Fundação Cultural de Ituiutaba, com o objetivo de promover a literatura nacional, vem através deste tornar públicas as normas para a participação no 3º CONCURSO DE CONTOS DE ITUIUTABA “ÁGUAS DO TIJUCO”.

 

 

REGULAMENTO

 

 

1. DO CONCURSO
1- A Fundação Cultural de Ituiutaba será responsável pela elaboração do regulamento, organização do concurso, indicação da Comissão Organizadora e Comissão Julgadora, divulgação dos resultados e pagamento da premiação.

2- Os trabalhos de seleção e habilitação dos contos aptos à participação dar-se-ão por intermédio de Comissão Organizadora Paritária, composta por 05 (cinco) membros, representantes da Fundação Cultural de Ituiutaba, representante do conselho curador e cidadãos de notório conhecimento literário.

3- O concurso dará ênfase a um único gênero literário: o conto.

4- A participação do concurso implicará na concordância automática do participante com todas as cláusulas desse regulamento.

5- Cada escritor poderá participar com apenas um conto e sem limite de páginas.

6- Do concurso poderão participar brasileiros residentes em qualquer estado da federação e egressos de território internacional, abstendo-se de participar membros da comissão organizadora, comissão julgadora, bem como servidores da Fundação Cultural de Ituiutaba direta ou indiretamente envolvidos na organização.

2. DOS TEXTOS

1- É vetada a participação de obras que já tenham sido, anteriormente, premiadas ou tenham recebido menção honrosa em outros concursos literários, sob pena de inabilitação.
2- A Formatação dos textos deverá ser digitada em folha A4, corpo 13, espaço 1,5 (entrelinhas) e fonte Arial, impressos na face frontal da página, devendo as subseqüentes, caso hajam, estar numeradas e grampeadas.

3- Fica proibido o envio de capa, ilustrações, fotografias, prefácios, dedicatórias, agradecimentos ou quaisquer caracteres que possibilitem a identificação do escritor participante;

 

3. DAS OBRAS INSCRITAS

1- A comissão organizadora analisará, selecionará e encaminhará os originais para a comissão julgadora.

2- Ao submeter o texto à comissão julgadora, o autor renuncia aos direitos de sigilo da obra, autorizando, automaticamente, a divulgação do material nos meios de comunicação disponíveis, preferencialmente, via internet.

3- Para todos os efeitos legais, os autores declararão ser legítimos criadores dos textos inscritos e, assegurarão o ineditismo dos mesmos, eximindo a Fundação Cultural de Ituiutaba, bem como a comissão organizadora de responsabilidade por eventual infração em sua totalidade ou particularidade.

4. DAS INSCRIÇÕES
1- A participação é livre e isenta de taxa de inscrição.

2- O período de recebimento dos contos dar-se-á de 1º de Junho a 1º de Agosto de 2014 e, os contistas que pleitearem participação deverão enviar a respectiva produção cultural para a Rua 24, nº 1332 – Centro, Ituiutaba-MG – CEP:38.300-078, Fundação Cultural de Ituiutaba, aos cuidados da Comissão organizadora, responsável pelo recebimento, cadastramento e encaminhamento à avaliação dos contos recebidos.

3- Os contos deverão ser enviados em um envelope grande e lacrado, identificado na frente com o nome do concurso. Dentro deste envelope os concorrentes deverão enviar um envelope menor, também lacrado, identificado na parte externa apenas com o título do conto e o pseudônimo utilizado. O envelope menor deverá conter uma folha com os seguintes dados: nome completo, e-mail, telefone para contato e dados biográficos. O prazo para inscrições termina impreterivelmente em 1º de Agosto de 2014, valendo a data do carimbo do correio.

4- Os contos deverão ser apresentados em quatro (04) vias.
5- Mídia digital contendo gravação do conteúdo integral do texto apresentado.

5. DOS DIREITOS AUTORIAIS
Parágrafo Único: A participação, a respeito da qual seja constatado qualquer ato atentatório à fidedignidade do concurso será julgada pela Comissão Organizadora, que decidirá pela responsabilização administrativa, sem prejuízo, das sanções penais e da responsabilização cível, cabíveis.

 

6. DA ESCOLHA DA COMISSÃO JULGADORA
Parágrafo Único: A Comissão julgadora do 3º Concurso de Contos de Ituiutaba “Águas do Tijuco”, será indicada pela Fundação Cultural de Ituiutaba e Comissão Organizadora.

 

7. DOS RESULTADOS

1- Não haverá devolução dos contos concorrentes, os quais, findo o concurso, serão incinerados com os respectivos envelopes de identificação.

2- Além do conto premiado, outros nove serão selecionados, independentemente de classificação, que com o conto ganhador, constituirão um livro, com tiragem de 500 exemplares e distribuição gratuita, a ser publicado segundo critérios estabelecidos pela Fundação Cultural de Ituiutaba, observados os princípios da legalidade e da moralidade administrativa.

3- Reserva-se a cada um dos 10 autores que colaborarem na composição da obra e comissões participantes a quantidade de 10 (dez), exemplares.

8. PREMIAÇÃO
1- Ao autor do melhor conto será entregue o prêmio, indivisível, em moeda corrente, no valor de R$ 3.000,00 (Tres mil reais), reservadas as obrigações tributárias previstas em lei.
2- A solenidade da entrega da premiação ocorrerá em data agendada pela Fundação Cultural de Ituiutaba e demais interessados. As despesas com locomoção, estadia, alimentação e demais gastos ficarão às expensas do ganhador, devendo o mesmo se deslocar à cidade de Ituiutaba.
9. DAS RESPONSABILIDADES
1- Serão automaticamente desclassificados os trabalhos encaminhados fora do prazo estipulado e, aqueles que se apresentarem em divergência às normas estabelecidas neste regulamento.
2- O participante autoriza, desde já, a utilização de seu nome e imagem, livre de quaisquer ônus, para fins de divulgação e promoção do concurso literário em todo território nacional.
10. DISPOSIÇÕES GERAIS
1- A participação neste concurso cultural implica na aceitação automática e irrestrita das normas previstas neste regulamento.
2- Dúvidas relacionadas a este instrumento deverão ser enviadas para o endereço eletrônico: concurso.aguas.do.tijuco@outlook.com
3- Os casos omissos serão resolvidos pela Fundação Cultural de Ituiutaba, em decisão soberana da Comissão Julgadora.

 

Ituiutaba, 30 de Maio de 2014.

Francisco Roberto Rangel
Presidente da Fundação Cultural de Ituiutaba Lilian Cristina de Oliveira Dias
Presidente da Comissão Organizadora.

 

Fundação Cultural comunica que às inscrições para o 3º Concurso de Contos de Ituiutaba “Águas do Tijuco” encerram-se dia 1º de agosto

A Fundação Cultura comunica aos contistas que às inscrições para o 3º Concurso de Contos de Ituiutaba “Águas do Tijuco”, encerram-se no próximo dia 1º de agosto de 2014.

Em 2013, o concurso teve a participação de quase quinhentas inscrições de várias partes do Brasil e de brasileiros residentes no exterior. A organização espera que esse ano, o número de participantes seja superior. O prêmio para o vencedor e de R$ 3.000,00, um dos maiores prêmios literário do país.

É de responsabilidade da promotora a indicação da Comissão Organizadora e da Comissão Julgadora do evento, bem como a divulgação dos resultados e pagamento da premiação.

De acordo com o regulamento os trabalhos de seleção e habilitação dos contos aptos à participação dar-se-ão por intermédio de Comissão Organizadora Paritária, composta por cinco membros, representantes da Fundação Cultural de Ituiutaba, representante do Conselho Curador e de cidadãos de notório conhecimento literário. O Concurso dará ênfase a um único gênero literário: o conto.

Poderão participar do Concurso, brasileiros residentes em qualquer estado da federação e egressos de território internacional, abstendo-se de participar membros da comissão organizadora, comissão julgadora, bem como servidores da Fundação Cultural de Ituiutaba direta ou indiretamente envolvidos na organização.

É vedada a participação de obras que já tenham sido, anteriormente, premiadas ou tenha recebido menção honrosa em outros concursos literários, sob pena de inabilitação. A participação é livre e isenta de taxa de inscrição.

Os contos deverão ser enviados, em um envelope grande e lacrado, identificado na frente com o nome do concurso. Dentro deste envelope os concorrentes deverão enviar um envelope menor, também lacrado, identificado na parte externa apenas com o título do conto e o pseudônimo utilizado. O envelope menor deverá conter uma folha com os seguintes dados: nome completo, e-mail, telefone para contato e dados biográficos. Os contos deverão ser enviados para Rua 24, nº 1332 – centro, Ituiutaba-MG – CEP: 38. 300 078.

 
Maiores informações no regulamento através do site: www.fundacaoituiutaba.com.br

 

O homem passa e a história fica

Saavedra Fontes

Nós, que alcançamos o século XXI e vivemos a parafernália de uma época globalizada, sentimos certa saudade do mundo menos conhecido do início do século passado. Havia o mistério, a magia do desconhecido, as notícias chegavam atrasadas, mas com impacto verdadeiro. Hoje não, a gente acompanha in loco e até mesmo na hora exata as coisas que estão acontecendo. Dramas e tragédias ficam banalizados pela variedade e quantidade de ocorrências a tal ponto, que ninguém mais se surpreende. . Já não há testemunha viva dos fatos ocorridos em 1900, claro que não. Ou há? Como deve ter sido a recepção dos leitores pelo livro “Os Sertões” de Euclides da Cunha, contando a saga de Antônio Conselheiro e a guerra de Canudos? Que confusão deve ter sido no Rio de Janeiro a política sanitarista de Oswaldo Cruz de combate à varíola e à febre amarela, gerando polêmica e incompreensão? E o voo de Santos Dumont com o seu 14-Bis, o que não deve ter dado o que falar? Mais ainda o alvoroço que deve ter causado Einstein com a sua Teoria da Relatividade, revolucionando as noções vigentes de tempo e espaço. E o pioneirismo e genialidade de Henri Ford introduzindo a linha de produção industrial de seus carros ou o naufrágio do Titanic, matando mais de mil e quinhentas pessoas. Tudo isso e mais a guerra de 1914, a invenção do sutiã que substituiu o espartilho tradicional, a descoberta das ondas curtas que permitiram a radiodifusão internacional, a queda da bolsa de Nova Iorque gerando crise econômica internacional e pânico indescritível; a chegada dos antibióticos, todas essas coisas publicadas com entusiasmo e moderação para um público que começava a perceber que ainda veriam muito mais.
Era uma época de expansão extraordinária, tanto mais notável quanto menor era a nossa capacidade de imaginar o que estaria por vir. A aprovação do novo Código Eleitoral brasileiro, que instituía o voto secreto e o direito das mulheres votarem e serem votadas; os dias maravilhosos da organização da primeira Copa do Mundo de Futebol; o cinema de Mae West, a dança do Charlestown, a orquestra de Glen Miller, a Aquarela do Brasil de Ari Barroso, Pablo Picasso e as diabruras de Salvador Dali. Os horrores da Segunda Guerra Mundial com a invenção mais trágica do Homem, a bomba atômica, que arrasou as cidades japonesas de Nagasaki e Hiroshima, oferecendo à Humanidade uma síntese de sua crueldade.
O tempo é formador de notícias e estas fazem a história para a posteridade. O Homem foi à lua, inventou a minissaia e enquanto o ditador Franco morria na Espanha a ditadura era instaurada no Chile, na Argentina e no Brasil. E se dermos um salto maior chegamos a Bill Gates e Paul Allen que fundaram a Microsoft, a maior empresa de software do mundo. Nasce o primeiro bebê de proveta, cai o muro de Berlim e como pesadelo maior surge o vírus da AIDS. Isto é só o que o meu pobre cérebro pôde lembrar em algumas poucas horas de compromisso com os leitores. Poderíamos também falar da dengue, da gripe suína, das mudanças climáticas, mas trata-se de coisas mais recentes. O que pretendo mostrar é que o tempo passa rápido e com ele vamos nós, como participantes e testemunhas da História, a única coisa que sobrevive às nossas alegrias e tragédias.

 
CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014

 

Modus operandi

Após a passagem do furacão Copa 2014, surgiram as mais diversas críticas/conclusões. Superfaturamentos, vendas ilegais de ingressos, negociata FIFA-BRASIL, etc. Milhares de brasileiros/técnicos mostrando como seriam suas seleções, palpitando nessa ou naquela escalação. Principalmente porque a atuação do Brasil foi deveras decepcionante, pois para um penta campeão jogando em casa, esperava-se pelo menos jogos que mostrassem preparação física, técnica e emocional. Fisicamente até que chegaram a aguentar 120 minutos, mas tecnicamente não valeram o investimento feito e emocionalmente a psicologia não conseguiu fazê-los tirar de uma fragorosa derrota o fortalecimento para a batalha seguinte.

Por outro lado, muitas críticas e até algumas frágeis manifestações insurgiram contra o modo como foi trabalhado esse evento. Não sabemos por que, mas a mídia não mostrou, por exemplo, comunidades inteiras sendo desalojadas de suas moradias para dar lugar às obras da Copa. Foram efetivamente expulsos e não relocados, como manda a justiça. A logística foi frontalmente contrariada em muitas situações que não foram publicadas, talvez na tentativa de mostrar turisticamente um país sem mazelas sociais. Felizmente, nós brasileiros, cordatos e hospitaleiros que somos, recebemos bem e a impressão deixada foi positiva, mas é preciso termos agora a consciência de lavarmos a roupa suja. Tanto no aspecto esportivo, como no político e social. É preciso revermos o modus operandi e com urgência, pois em 2016, olha nós aí de novo, sediando evento esportivo. Jogos Olímpicos pela primeira vez na América do Sul.
Nem só de futebol vive o brasileiro, mas de toda ação saída do trabalho honesto, consciente e produtivo . Que tal, se conseguíssemos despertar em nossos corações o mesmo entusiasmo, a mesma paixão pelo saber, pelo conhecimento formal e pelos bons costumes? Cantássemos o Hino Nacional igualmente em todas as situações? Aprendêssemos com os japoneses a importância da limpeza e com os alemães a força da disciplina e do planejamento? E mais, continuássemos com a mesma disponibilidade de segurança dispensada no período da Copa? Aí sim, teríamos tirado proveito do 7X1. Mas constatamos que mal terminou o evento e já voltam os incêndios a ônibus, assaltos e latrocínios. Teria sido benéfico se o lúdico também fosse didático. Assim, quem sabe na próxima Copa aprenderemos com os acertos invés de com os erros.
Pelo andar da carruagem, parece que tudo vai voltar como dantes no quartel de Abrantes. A poderosa FIFA levou embora o padrão, a alegria e o dinheiro.

 

 

José Moreira filho

www.josemoreirafilho.com.br

 

 

CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014.

“Ai, que saudades que tenho, da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais…”

O poeta Casimiro de Abreu autor da frase tinha razão…! Quem disser que não tem saudades da infância, da adolescência, naturalmente se esqueceu dos bons momentos vividos… Por pior que tenham sido, deixaram muitas lembranças… Criança brincava de pique, de bola, de roda, de pião, bola de gude, de boneca, pular corda, maré, teatro e uma infinidade de atividades lúdicas, aliadas de forma aleatória ao esporte. Corriam, saltavam, pulavam, participavam com euforia de piqueniques organizados pela escola, como gostavam!… Andavam a cavalo, nadavam nos rios e nas cachoeiras, e deliravam… Criança era criança mesmo, dentro da pureza e da doçura que as caracterizam… Criança não bebia, não fumava, não namorava, não usava modelos de adulto, salto e nem maquiagem; não se falava em sexo… Claro, não existia a TV para ensinar, de forma explícita e indecorosa… Até que ponto a evolução constrói?! Até que ponto o avanço da tecnologia, é salutar?! As crianças de hoje não brincam, não têm tempo, tal o número de compromissos que têm de cumprir, mesmo as de tenra idade. Aulas de línguas, aulas de reforço, judô e caratê, tênis, balé, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeutas, além do comutador, internet, vídeo game, TV e celular… São ases da informática e de uma série expressiva de coisas que os adultos não conseguem fazer, com a mesma desenvoltura. Isso nos leva a pensar até que ponto o progresso é salutar… Claro que depende da mentalidade de cada um. Ninguém é ignorante para discordar do progresso… Ele chegou e tem de ficar. Não se trata disso, mas sim dos senões que atravancam esse progresso… Ninguém também tem obrigação de concordar com alguns acontecimentos noticiados, e que se constata, frutos da evolução… Não havia assaltos, sequestros, pedófilos, bandidos, vandalismo e o povo em geral era muito feliz… Casas abertas, até durante a noite, ninguém molestava ninguém. Parece que a infância e adolescência desapareceram…! Restam os esportes, uma válvula de escape, algo fabuloso e necessário… Durante a Copa do Mundo, perguntaram a um antigo e famoso treinador o fato da escassez de famosos nos times de futebol, caso de Neymar, Messi e outros; e ele comentou: “Os meninos de hoje, não jogam bola como antes; havia campinhos em terrenos baldios, fundo de quintal, praças, e a meninada com qualquer bola jogava, até com bola de meia, um treino para a vida. Dalí surgiam grandes jogadores… Hoje ficam à frente do computador o tempo todo, não se interessam como antes pela bola, nem por outras coisas …” Pura realidade…
Aborda-se um tema desses, em virtude de se ouvir tantas queixas de famílias, mães que perderam o controle da prole… Muita autonomia, concedida sem freio… Não deve e nem pode, dar asas a quem não sabe voar…

 
Adelaide Pajuaba Nehme-Acadêmica da ALAMI
CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014.

 

A ajuda dos amigos

Whisner Fraga é escritor. Contato: wf@whisnerfraga.com.br

 

 

Naquela época dois videogames dominavam o cenário de jogos no Brasil: o Atari, da Polyvox e o Odyssey, da Magnavox. O console Odyssey era bem mais caro, razão pela qual a molecada do meu bairro tinha, em geral, o Atari 2600. Mesmo com resolução horrível para os dias atuais, com as tevês de tubo a castigar os olhos, os jogos eram uma novidade impressionante para uma geração que conhecia apenas dados e tabuleiros.
Ainda não havia serviços de aluguel de cartuchos, de maneira que só nos restava pedir aos pais uma mesada um pouquinho mais gorda para comprarmos as fitas. Claro que havia um mercado pirata em ebulição naqueles tempos, o que facilitava a aquisição. A pirataria já era avançada a tal ponto que não nos era possível distinguir um jogo falso de um original. O preço, como escrevi, era uma boa dica para quem se interessasse pela diferença entre um e outro.
Eu devia ter, em sociedade com meus irmãos, uns 8 jogos, o que era insuficiente diante de nossa fome por novidades. Assim, íamos aos amigos e trocávamos cartuchos. Os clássicos todos possuíam: Enduro, Pitfall, River raid, e eram tão bons que ninguém queria se livrar deles, de forma que tínhamos duas fitas que eram itinerantes e que usávamos para barganhas. Nossa sorte é que havia o amigo João Bosco, o sujeito mais inteligente de nossa sala, que hoje é médico e trabalha no Hospital Universitário de Marília e, felizmente, não deve se lembrar dessas bobagens que narrarei a seguir.
João era dono de uma considerável coleção de consoles e fitas, de maneira que acabei por me tornar um assíduo frequentador de sua casa. Não que ficasse muito tempo por lá. Era só mesmo os minutos necessários para pedir emprestado um ou mais jogos. De início ia duas ou três vezes por semana, até que, nos dias em que o vício atingira seu auge, cheguei até a porta da casa dele e gritei por seu nome quatro vezes em uma única tarde. João e sua irmã Luciana deviam ser canonizados por tanta paciência. Não me lembro de perderem a paciência nem uma vez. Se algum dia eu tiver alguma influência junto ao Vaticano vou propor a beatificação.
Foi assim que conheci H.E.R.O., River raid 2, Frostbite, Atlantis e tantos outros games que contribuíram para que eu me tornasse este homem de meia idade com a vista cansada e envergonhado de alguns momentos de seu passado. Hoje, de vez em quando até penso em comprar um Xbox ou um Playstation, para me atualizar, rememorar aqueles bons momentos, mas não levo a ideia adiante. Vendo os jovens manusearem uns controles cheios de botões e alavancas, acho que não conseguiria me adaptar. Gosto das coisas simples, diretas (exceto em teatro, cinema e literatura, que adoro o obscuro, o complexo). De qualquer maneira, atualmente meu interesse por essas tecnologias é pequeno.
Aos ituiutabanos jogadores inveterados, um conselho: não gastem tanto tempo defronte uma tela. Há vida lá fora e viver é uma aventura que às vezes vale a penaexperimentar.

 
CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014.

Naquele tempo (1959)

Naquele tempo infância tinha conotação diferente, de hoje em dia.

Carrinhos feitos rusticamente de caixotões no fundo do quintal,
patinete, estilingue eram brinquedos escolhidos pelos meninos.
As meninas adoravam as bonecas de pano, o fogãozinho de barro,
feito pelo avô atencioso, para brincar de casinha.
O balanço improvisado, amarrado no galho da mangueira apinhada de frutos tão doces, alvo dos estilingues dos meninos que saboreavam sob a sombra generosa, o fruto de graça, com graça…
Depois do jantar frugal, assentávamos no alpendre para apreciar
o parco movimento da rua, observando atentamente, a volta dos trabalhadores pedalando energicamente,
suas velhas bicicletas, suspirando pelo jantar.
Não tardava chegar os vagalumes para cintilar a noite…
Naquele tempo a graça estava na simplicidade, na espontânea paisagem, no embalo do vento indo e vindo, correndo parelha com o tempo…
Naquele tempo as manhãs ficavam interessantes no debruçar nas janelas para apreciar os meninos entregando jornais, o verdureiro vendilhão pesando abobrinhas, mandiocas e limões,
no meio da rua.
Naquele tempo ouvíamos extasiados pelo rádio, a narração das novelas.
Aquele tempo ficou guardado, as melhores lembranças, sem páreo para substitutas lembranças…
Naquele tempo portas e janelas estava sempre aberta a espera do sol, ou de algum parente ou amigo, para trocar conversa, tomar café com pão de queijo, comer goiabada cascão com queijo flamengo fresquinho. Naquele tempo receber, e ser recebido eram dádiva de DEUS.
Naquele tempo sentar-se ao redor da mesa, para compartilhar pão e queijo, era ideal de vida.
Hoje o tempo veloz apressa, empurra, emperra tudo, fecha portas e janelas de medo. Naquele tempo, agregação familiar, amizades solidificadas pelas décadas, eram bênçãos preferidas pela vida, feito raro nos dias de hoje, infelizmente. Naquele tempo.
Rendo-me aquele tempo, à aquele tempo!…

 

 
Maria Adelina Vieira Cardoso e Gomes

Acadêmica da ALAMI

CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco” (25)

Não se iluda, se você não se ama, nunca poderá amar ninguém, o máximo

que poderá sentir é apego e necessidade pelo outro. Não se pode sentir
pelo outro aquilo que não sente por si mesmo. E ninguém te ensinou a
amar-se, ame-se profundamente, esteja eternamente enamorado de si
mesmo, a ponto de não necessitar de mais ninguém, pois quando chegar a
esse estágio estará pronto para amar os outros seres, para
compartilhar sem apego, posse. (Ciberpajé)
*
Se você necessita de alguém prepare-se para sofrer e desejar vingança.
Se você compartilha com alguém prepare-se para o êxtase! (Ciberpajé).
*
Você ouve a todos que dizem que te amam, e segue confuso os caminhos
que querem traçar para que você siga. E na tentativa de amá-los,
obedecendo-os, você destrói o único amor realmente necessário para seu
equilíbrio: o autoamor. Ame-se, siga só o seu coração. (Ciberpajé)
*
Em certas manhãs sua programação falha, você se olha no espelho e se
pergunta as razões disso tudo, você por instantes percebe que foi
programado para seguir regras e alimentar um sistema vazio, baseado no
monetarismo e desconectado da espiritualidade e da transcendência. Mas
esse ruído na programação dura pouco e em instantes você retorna à sua
vida de autômato. Quer viver? Quando surgir o novo ruído em sua
programação, ouça-o, mergulhe nele, desprograme-se! (Ciberpajé)
*
Para Lao Tse, para o Buda, para Milarepa e para muitos outros mestres
iniciados a sabedoria surge do esvaziamento do conhecimento. Ao
limpar-se de todo o lixo acumulado chamado “conhecimento” e “cultura”
você torna-se livre para experienciar e ser. Meu esforço como
Ciberpajé não é acumular mais nenhum conhecimento, é livrar-me de todo
esse lixo chamado conhecimento que me foi impingido e que contaminou
minha conexão com a natureza e o Cosmos. Uma tarefa árdua, mas para a
qual dedico-me com afinco. Esvaziar-me! (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela
UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e
professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nas áreas de arte e
tecnologia, performance e histórias em quadrinhos.

CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014

 

Fundação Cultural de Ituiutaba continua trabalho para aumentar o seu ICMS Cultural

A consultora em ICMS Cultural, Claudia Morais Neves contratada pela Fundação Cultural, para dar assessoria técnica à comissão nomeada pelo presidente, professor Francisco Roberto Rangel, esteve reunida com essa comissão essa semana e explicou qual o procedimento a ser adotado daqui pra frente para se aumentar a pontuação da cidade, exigida pela Lei que criou esse mecanismo no estado de Minas Gerais, que beneficia os municípios que preservam o seu patrimônio histórico, transformando essa pontuação em recursos financeiros para ser aplicados em favor da cultura no município. Segundo a consultora Claudia, esse ano, o Dr. Rangel constituiu uma equipe para trabalhar com a área de patrimônio, criando dentro da Fundação o setor de patrimônio, que é o SEMPAC, onde se têm pessoas habilitadas, técnicas, para fazer esse trabalho, para melhorar a pontuação do município. O que essa comissão esta fazendo para aumentar essa pontuação é a substituição das leis antigas de gestão de patrimônio, por leis mais atuais; trabalhando com curso de treinamento do conselho para que ele realmente possa entender o seu papel junto os processos de tombamento e registro, que estão sendo iniciado esse ano. Para ela a ideia é que se complete a documentação que está no IEPHA – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, pois existem vários processos de tombamento iniciados e já enviados a esse órgão, que tem diligência que deve ser completada para que o município tenha reconhecido esse tombamento. “Isso aumenta a pontuação e tem também o dossiê, por exemplo, de registro da irmandade São Benedito, que tem uma diligência que estamos cumprindo e vamos reenviar esse ano; existe a expectativa ainda de registrar o movimento do catira no município de Ituiutaba, e a banda municipal. Realizando todos esses trabalhos nos melhoramos a pontuação e vai ter mais recurso para ser investido na cultura”, afirmou a consultora. “O processo do ICMS Cultural é um trabalho de três anos, tudo que a gente esta fazendo em 2014, o município vai ter o recurso financeiro em 2016, porque tem um intervalo de um ano, em que o IEPHA analisa a documentação que está sendo enviada. No final de 2014, nós mandaremos todo trabalho de gestão de patrimônio que esta sendo feito, todas as atividades, os processos de tombamento, registro, projeto de educação patrimonial, a atuação do conselho, isso vai num conjunto documental de seis quadros. O IEPHA em 2015 irá analisar toda essa documentação e se for aprovada, aumenta a pontuação desse trabalho executado em 2014, e o recurso vem só no ano de 2016”, explicou a consultora Claudia.

 

 

 

“Os Aforismos do Ciberpajé Edgar Franco”(24)

Milhões de seres mal resolvidos interiormente, ansiosos, depressivos, enfastiados, sem perspectivas novas, atolados em seus valores formatados, consumo desenfreado e anestesiados por emoções induzidas. Todos focando suas energias em coisas que não podem dominar, ou controlar, em ídolos programados pra durar pouco tempo, em vidas alheias que gostariam de ter. Todos olhando para fora e esquecendo de olhar para o seu interior. Se gastassem essa energia, essa paixão ou ódio por seus ídolos tolos, para o seu autoconhecimento e crescimento como seres, transformariam esse mundo. Mas essa é uma utopia irrealizável, a única revolução possível é a do indivíduo, e enquanto milhões de idiotas dessa massa formatada choram ou comemoram glórias

inexistentes, em silêncio os revolucionários de si mesmos buscam a transcendência. (Ciberpajé)
*
O que é vazio e inconsistente dura o tempo da idiotice de quem o cultua, ou seja, como a idiotice tem crescido exponencialmente, o tempo de duração do culto aos idiotas tende ao infinito. E não se engane, caem uns ídolos de lama, mas os publicitários criam outros imediatamente, a massa precisa ter suas emoções sempre induzidas e conduzidas.(Ciberpajé)
*
Eu não tenho hino, eu não tenho bandeira, eu não tenho deus, nem semi-deus, nem ídolo. Eu não rezo, eu não me ajoelho diante de ícones, eu não suplico. Minha oração é a reverência ao Sol e o uivo para a Lua. Minhas emoções não são programadas pelos publicitários e seus escravos midiáticos, nem pelos retóricos multimilionários e suas
seitas forjadas. Meus sonhos não envolvem o ter. Eu estou nessa dita humanidade, mas não faço parte dela, não coaduno com seus valores,crenças, desejos. (Ciberpajé)
*
Existem tantos idiotas, pós-analfabetos vazios de conteúdo, sendo idolatrados como semi-deuses, que um idiota a menos, ou a mais nunca fará falta. E quando um idiota cai, sempre virão outros idiotas para ocuparem o seu lugar, e bilhões de idiotas ainda maiores para cultuá-los. (Ciberpajé)
*
Se você reverenciasse a Lua saberia que é parte do tecido infinito que molda o Cosmos. Mas você prefere reverenciar os fantasmas de homens mortos transformados em deuses por larápios retóricos, ou esportistas e astros pop idiotas e semianalfabetos controlados por multinacionais. (Ciberpajé)
*
Edgar Franco é Ciberpajé, artista transmídia, pós-doutor em artes pela UnB, doutor em artes pela USP, mestre em multimeios pela Unicamp e professor do Programa de Doutorado em Arte e Cultura Visual da UFG.
Acadêmico da ALAMI, possui obras premiadas nas áreas de arte e tecnologia, performance e histórias em quadrinhos.

 

 

CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014

 

 

A danação

Certa vez na terra da nação, a Ordem Maior estava cada vez mais deteriorada. Eis que, preocupado com o destino da nação, o conselheiro Guinoshi, em nome de todos que, apesar de insatisfeitos e sofrendo os horrores dos desmandos, nada faziam, resolveu procurar o poderoso Hircus. Encontrou-o enfurecido com a Ordem Maior e determinado a exterminar com todos. Pois os detentores de cargos preocupavam-se tão somente em produzir leis que beneficiassem a eles mesmo e a seus apaniguados, parentes, servos e lacaios. Viviam de orgias e escândalos dos mais variados timbres. Mas o complacente Guinoshi, implorou ao Supremo Hircus que perdoasse aquela gente.

— Poderoso Hircus, eles não sabem o que fazem…tenha misericórdia de pelo menos parte desse povo. Afinal nem todos são devassos. Me diga, ó todo poderoso, se por ventura encontrares na Ordem Maior 50% de justos, revogarás sua decisão?
Em atenção a seu fiel e honesto servo e parte daquela gente, Hircus resolveu perdoa-los nessa condição.
Porem, ao fazer a averiguação, Guinoshi percebeu que metade de justos era impossível encontrar. Retornou a Hircus e implorou:
— Ó todo poderoso, caso falte uma pequena parcela para 50% de justos, ainda assim perdoará a todos?
— Sim, meu servo bom e fiel, em atenção a essa parte, não destruirei a todos.
Guinoshi ainda insistiu:
— Talvez Senhor, não se encontre ali mais de 40%.
— Ainda assim o perdão será concedido.
— Perdoa, Senhor, minha ousadia, mas se por ventura lá não se encontrar mais de 20% imbuídos de moralidade e ética?
—- O perdão será concedido a todos.
Mas Guinoshi ainda insistiu:
— Que o meu Senhor não se irrite, mas temo que não se encontre ali mais que 10% de justos.

Fogo e piche incandescente jorrou sobre aquela região e no sofisticado abrigo, ambos os pratos, côncavo e convexo foram sufocados. Choro e ranger de dentes foram ouvidos nos quatro cantos daquele planalto. Então uma nova esperança brotou das cinzas do Vale de Lágrimas.

 

 

José Moreira Filho
moreira@baciotti.com

 

 

CP: HD – FCI/ALAMI – julho/2014.